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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Donana

Não queremos aqui dissertar sobre os traços biográficos dessa grande personalidade caririaçuense e que, para nossa felicidade, ainda habita entre nós. Não vamos falar quando nasceu, de quem é prole e qual a profissão que exerceu para suprir as suas necessidades materiais. Falaremos resumidamente de Ana Soares Cardoso, para os mais velhos e mais entendidos, ela é Donana.
Ela uma é senhora simples e de hábitos singelos, todavia é possuidora de uma inteligência esplêndida e uma memória que nenhum superlativo lhe faz justiça.

A título de informação para os mais moços, Donana é simplesmente a letrista do Hino de Caririaçu. Canção que o leitor, se já estiver pelo menos beirando a adolescência, já deve ter cantado muitas vezes e o entoará pelo resto dos seus dias, numa demonstração de amor e empatia pela Serra de São Pedro.
Se os jovens de hoje bradam a belíssima música Jardim Molhado do Sertão, do amigo João Kyor, com os belos versos: Sou do Ceará, do interior/Das terras de lá/Caririaçu é o meu lugar; os nossos avós, pais e até irmãos mais velhos aprenderam a declamar os versos de Donana: Caririaçu, terra altaneira/Vimos cultuar a tua bandeira...
A letra do hino de Caririaçu foi composta em 1967, ano em que nossa cidade era governada por Raimundo Bezerra Lima (Mundeza) e quando teve início a festa do município no mês de agosto daquele. Donana, na época, era funcionária da prefeitura e como Caririaçu não possuía um hino, ela teve a ideia de fazer a letra. A inspiração, ao contrário do hino de muitos países e cidades, não foi à história do lugar e seus pequenos e grandes feitos, a inspiração de Donana, como ela mesma nos afirmou, foi à natureza que circunda e permeia nosso torrão.
A melodia foi feita pelo maestro João Boaventura e o hino foi cantado pela primeira vez no dia de São Pedro de 1968, pelo Coral Santa Cecília, coral liderado pela própria Donana, no Círculo Operário São José (hoje a sede do Grupo de Escoteiros Nossa Senhora do Carmo).
Além do hino da nossa cidade, Donana também compôs o Hino da Paróquia de São Pedro que nunca foi gravado, cujo refrão diz:
Eia povo, povo são-pedrense, avante, avante a bradar
A paróquia centenária, vamos homenagear[1]
Essa pessoa que anda pelas nossas ruas com passos lentos e vagarosos, às vezes carregando algum objeto nas mãos e sempre ignorada pela maioria da população caririaçuense, merece todo o nosso respeito e admiração.
Todavia, Donana é já uma idosa e, o idoso é desprezado pela lógica irracional humana de só dar valor aquilo que lhe conferir prestigio, o idoso só tem o conhecimento da vida passada, sobrevive ao presente e não projeta mais o futuro, apenas o profetiza.
Nos dias em que vivemos, a sapiência do empirismo e da observação, não têm valor algum. O valor das coisas contemporâneas está em consumir aquilo que é imposto pela indústria cultural. Se não consumirmos, nos sentimos à margem dessa sociedade consumista e individualista, e assim caímos na crença que somos fracassados.
Destarte, por isso, é fácil desprezarmos pessoas como Donana e, cada vez mais fazermos vênia ao lixo cultural da televisão.
Que Donana sobreviva ainda muitos anos. As pessoas que poderem e tiverem oportunidade de conversar com ela, não perca a chance, garanto que irá aprender mais do que em um ano letivo da escola. Na escola se senta, se cala, faz prova, passa de ano, para no final ganhar um pedaço de papel. Donana, inconscientemente, pelo menos foi a impressão que eu tive ao conversar com ela, ensina a conhecer e admirar a vida, o universo e tudo mais. Sem falar no imensurável conhecimento que ela tem da nossa cidade.
Donana é parte importante do patrimônio desse chão e sugere-se que se crie um busto e a faça-se uma justa homenagem a ela em vida. O busto poderia ser aos moldes do de Padre Augusto que se encontra na Praça que leva o seu nome. Também poderia fazer semelhante honraria a outras personalidades de Caririaçu, como, por exemplo, os escritores Raimundo de Oliveira Borges, Ivan Magalhães (que escolheu a Princesa da Colina, como ele descreveu Caririaçu, para viver), Célio Mendonça (que só por ser professor já merece toda nossa reverência), Padre Vicente, a educadora Maria Floscoeli, o multifário João Kyor (que com sua decisão de se dedicar somente à música, certamente levará o nome de nossa cidade a lugares longínquos e inimagináveis), o inesquecível cineasta Zé Sozinho (com o qual me orgulho de ter conversado em algumas oportunidades, quando labutava numa videolocadora) e mais alguns outros que  buscaram o progresso e levaram o nome de nossa cidade por onde colocaram os pés.
Esta cortesia não seria atribuída a nenhum político. Se não apareciam aos borbotões reclamações dos passados, presentes e vindouros que se sentiriam no direito de serem agraciados. Sem falar que político é eleito para fazer coisas boas e não há grandes méritos em realizá-las, quando as faz, é apenas o dever cumprido.
Que Deus dê ainda muitos dias a Donana, que se aproveite o que ela pode ensinar a essa juventude bovarista e pavoneada.
Viva Donana. Viva o nosso o povo, a nossa gente.
Nós não precisamos importar heróis, em Caririaçu houve e há vida inteligente, gente boa, gente que honra a gente, gente que se garante.

PS: Este pequeno esboço só foi possível, graças ao incentivo constante do amigo Marcelo Antônio (Marcelo Sam) que desejava fazer essa pequena homenagem a Donana. Ao parceiro Marcelo, que recentemente sofreu uma grande perda e está passando por um momento triste da sua vida, esse texto é dedicado a você.
PS2: As imagens que ilustram esse texto foram tiradas por Izaquiel Vieira da Silva em janeiro de 2012.




[1] Se alguém se interessar em conhecer esse hino, entre em contato pelo e-mail: fcopsousa@hotmail.com ou pelo facebook.com/fcopsousa que eu enviarei o canto entoado pela própria Donana.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Lançamento de "Apresso Lembranças"


O dia 5 de abril de 2014 foi um dia que certamente entrará para a história recente da Serra de São Pedro. Este foi o dia do lançamento do primeiro livro de Célio Mendonça, o Maré, como eu, e muitos outros, nos habituamos chamar esse homem grande no físico e na sapiência e que seu único defeito, aparentemente, é torcer pelo Vice, digo, Vasco da Gama, freguês de caderneta do time do povo... Clube de Regatas Flamengo.
Não vou falar aqui a respeito do livro em si, do seu conteúdo. Para fazer uma resenha no mínimo razoável da obra, os meus parcos conhecimentos e minha inexperiência de vida são insuficientes para escrever sobre a obra de Maré. Falarei aqui somente sobre o lançamento de Apresso Lembranças.
Eu estive presente no lançamento do livro, não somente como repórter fotográfico e redator de matéria jornalista, nem tampouco porque fui convidado pessoalmente pelo autor, embora tenha sido uma honra mui grande. Eu fui porque acima disso, me considero um profundo admirador da palavra escrita e não podia perder esse grande momento da literatura do nosso torrão. A palavra escrita e sua posterior leitura deleitada por outros olhos, é a liga da baladeira que estica e impulsiona a pedra da imaginação pelos ares e possibilita enxergar o mundo de uma visão privilegiada. Quando um caririaçuense do miolo nos traz a palavra escrita, é a prova de que nossa cidade possui vida inteligente e um futuro promissor. Vida inteligente, eis o que sois Maré.
Maré foi aplaudido de pé pelos seus pares, afinal foi assim que ele se referiu a plateia que o prestigiou: “me sinto representado pelas pessoas aqui presentes” e, diante da ovação, ele se enrubesceu e atrevidas lágrimas brotaram dos seus olhos querendo participar do lindo momento, mostrando que um homem de bom coração se emociona com coisas singelas.
Até eu, que no momento usava o hábito de profissional da informação, o qual não é permitido demonstrar emoção, me vi com os olhos marejados e para disfarçar fiquei numa janela e enquanto olhava o horizonte, discretamente enxuguei as lágrimas que irromperam do meu ser imaturo e que não sabe lidar com a beleza. Não sei qual a explicação que isso deve ter, mas me arrisco a dizer que foi a de ver um pobre que nasceu sem eira nem beira (me desculpe a expressão Maré) ter um de seus sonhos realizados.
Não sou escritor e nunca lancei um livro, mas sei que não é fácil realizar tal fato. A coisa se complica ainda mais, quando se pertence a um lugar onde a maioria das pessoas só escreve bem o próprio nome, por isso, Maré deve ser reverenciado e foi merecidamente aplaudido de pé na cerimônia de lançamento do seu Apresso Lembranças.
Também não poderia deixar de felicitar Wagner Medeiros, que com a lente de sua câmera, capta imagens inefáveis como aquela que ilustra a capa de Apresso Lembranças.


PS: Quero agradecer a gentileza do prefeito João Marcos, que esteve presente no lançamento e humildemente, como deve ser um grande governante, comprou e me ofereceu um exemplar de Apresso Lembranças, pena que eu já havia comprado. Mesmo assim, muito obrigado prefeito.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Turista do Inferno


                                                                                                                       Por Marcelo Sam

O caso que vou contar aconteceu aqui na nossa Serra de São Pedro e é muito intrigante. O fato aconteceu em meados dos anos 60 e foi relatado pela senhora Rosalina Maria de Jesus, testemunha ocular caso.

Trata-se de fragmentos da vida de um homem que suspostamente visitava o inferno. Ele era conhecido por Seu Paulino, um senhor de 78 anos de idade e de mistérios sobre sua simples vida.

Seu Paulino comprava porcos, matava-os e vendia sua carne nas redondezas. Ele dizia a todos que era amigo do diabo e que sempre visitava o inferno a convite do seu amigo.

Nessas idas, aonde muita gente diz que é o centro da terra, ele afirmava que via lá pessoas que ainda estavam vivas. Essas pessoas eram da sua região, o Sítio Formiga.

Ele também proferia conselhos que dizia ser do diabo. Seu Paulino falava que quando um homem fosse ao bar, nunca bebesse a cachaça no copo do estabelecimento, sempre levasse o seu próprio copo, pois quando se bebe no utensílio do bar, o demônio pula dentro dele. Isso era a explicação porque quando as pessoas bebem mudam psicologicamente. Seu Paulino sempre tomava sua cachacinha numa cuia de coco.

As pessoas sempre paravam para escutar as experiências narradas por Seu Paulino. Ele contava que quem estava em pior situação na casa de seu amigo, o diabo, eram as costureiras que não entregavam os restos dos retalhos e linhas para os seus donos quando terminavam a encomenda das roupas. Outros também que estavam mal eram os compadres e comadres que tinham algum relacionamento amoroso. No inferno, ele via as costureiras com seus balaios de retalhos e os compadres que ficavam assando no local mais quente.

E o que mais deixava as pessoas abismadas era quando ele dizia que ia ao inferno e amanhecia o dia com um lado do corpo chamuscado de fogo. Dona Rosalina afirma ter visto as queimaduras.

Alguns diziam que ele era um louco mentiroso e que estava caducando, mas as marcas de fogo existiram realmente.

Apesar dos incrédulos duvidarem, Seu Paulino se tornou uma espécie de conselheiro na região onde morava e todos queriam escutar as palavras do diabo ditas a ele e que ele repassava às pessoas. Seu Paulino também contava quais eram as pessoas que ele tinha visto no inferno.

Nunca poderemos saber se essa história é verdadeira ou não. Mas uma coisa pode-se afirmar: há muitos mistérios entre o seu e a terra e a história de Seu Paulino deixa uma lição para agirmos com retidão, se não o inferno é logo ali...

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Primeiro Censo de Caririaçu


O primeiro censo realizado na cidade de Caririaçu ocorreu ainda no séc. XIX, no ano de 1890. Este censo foi o segundo no Brasil e o primeiro do período republicano. O primeiro recenseamento ocorrido nas terras descobertas por Cabral deu-se em 1872.
A nossa cidade na época ainda era uma jovenzinha vila, possuía 14 anos de independência política, visto que sua emancipação ocorreu em 1876 e ainda trazia o nome de São Pedro do Crato. Em 1918 o então presidente[1] do Ceará João Thomé de Saboya e Silva[2] alterou o nome para São Pedro do Cariry[3] e em 1943, finalmente nomeou-se a nossa cidade de Caririaçu, o Kariri grande.
Nesta época, Caririaçu contava com o distrito do Junco, atual município de Granjeiro, e sua paróquia era de Nossa Senhora Das Dores. Porém esta informação pode ter sido um equívoco do Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas, através da Secretaria Geral de Estatística[4], inspirado numa lei de 1879 que transferia a freguesia de São Pedro para o povoado de Joazeiro, hoje Juazeiro do Norte.
A população correspondia a 2 237 (dois mil, duzentos e trinta e sete) homens e 2 198 (dois mil, cento e noventa e oito) mulheres, totalizando 4 435 (quatro mil, quatrocentos e trinta cinco) são-pedrenses.
Naquele tempo de censo precursor, a nossa pequena povoação estava sob a tutela eclesiástica de Cícero Romão Batista e era administrada politicamente pelo intendente Francisco Leite de Araújo.
Mostrando certa importância a vila de São Pedro não ficou de fora do censo de 1872. E aqui foram contados os habitantes daquela época e o embrião de Caririaçu apontava uma população de 55 escravos. Isso mostra certa pujança na economia agrária da época.

PS: Os dados retratam apenas a densidade demografia da cidade de Caririaçu na época, não considerando o padrão e a qualidade da vida dos recenseados. Fato notório era o registro das igrejas dos lugarejos, o que evidencia o fato de praticamente não existir o protestantismo e o pluralismo de religiões dos dias contemporâneos. Nada de anormal nisso, pois até a Proclamação da República em 1889 o Catolicismo era a religião oficial do Brasil.




[1] Naquela época as províncias não tinham governadores como nos dias de hoje e sim presidentes, que por sua vez eram indicados pelo presidente da República.
[2] Primeiro Governador a visitar a nossa cidade. Isso aconteceu na segunda década do século passado.
[3] Na época Cariri se escrevia com ipsilone.
[4] Instituição responsável pela coleta de dados da época, pois naquele tempo ainda não existia o IBGE. Ele foi fundado em 1934 e instalado em 1936 com o nome de Instituto Nacional de Estatística.

domingo, 5 de agosto de 2012

O Fundador de Caririaçu

No mês de agosto comemoram-se em nossa urbe as festividades de aniversário da Serra de São Pedro. “O nosso pedaço do Brasil” como disse Ana Soares Cardoso, a Donana, letrista do nosso hino.
Nos meus tempos de ensino fundamental, ainda criança, saindo das férias de julho e chegando o mês de agosto e com ele o segundo semestre escolar, as professoras passavam para os alunos um trabalho escolar sobre nossa cidade.
Nele se pedia o nome do fundador do nosso nicho, do padre, do prefeito, dos vereadores, das praças, das igrejas, dos distritos, das principais ruas, entre outras que o HD cerebral não está conseguindo trazer para a memória RAM da mente. Não sei dizer se ainda existe essa prática.
Nisso se resumiu todo o estudo sobre a minha cidade que tive na escola. Muito pouco, quase nada. Outra coisa: além de pedirem nomes, por que não pediram fatos, contextos e as possíveis ligações entre si e por que não intimaram também para eu simplesmente escrever sobre ela? Dizer o que eu pensava sobre o meu lugar, falar das pessoas, da minha vizinhança e da própria escola, etc. Eu sei que era criança e que sairia com muitas limitações, como ainda hoje sairia, mas porque limitar ainda mais? Fora do casulo as borboletas nos proporcionam inefáveis vôos e, às vezes, é preciso que os mestres deixem os pupilos se arriscarem a andar com as próprias pernas.
Todavia, esse tal trabalho teve a sua utilidade, pois foi nele que descobri que Caririaçu foi fundado pelo icoense José Joaquim de Santana.
Mas, eis que relendo o notável mestre, Raimundo de Oliveira Borges, surgiu uma dúvida em meu pobre chip cerebral.
Conta-se que São Pedro, como é chamado por alguns, ou Caririaçu, como é aceito por todos, nasceu nos arrabaldes duma pequena casa de comércio situada numa estrada que ligava o Crato, a nossa cidade mãe e o principal município do sul do estado na época, e o norte do estado do Ceará. Isso em meados do século XIX.
Segundo relatos esse casebre pertenceu a José Joaquim de Santana.
Porém, já no século XVIII, em 1760, o homem branco havia descoberto a Serra de São Pedro. Antes disso os dados históricos conhecidos inferem que nossa cidade havia sido habitada apenas por índios.
Pois bem, em 1760 Caririaçu foi descoberto ou achado por Miguel Cavalcante Campos.
Em Serra de São Pedro, Raimundo de Oliveira Borges faz uma citação do livro Região do Cariri de Edilmar Norões, F.S. Nascimento e Dorian Sampaio sobre o surgimento do nosso torrão:

Situado sobre plataforma da serra, São Pedro do Crato, São Pedro do Cariri e, finalmente, Caririaçu teve sua provável origem numa paragem para descanso dos viajantes que por aí transitavam, não se rejeitando também a hipótese de haver se desenvolvido em torno de uma das casas grandes dos primeiros senhores rurais da terra, podendo ter sido José Joaquim de Santana, segundo a tradição, ou Miguel Cavalcante Campos conforme depoimento de Irineu Pinheiro[1].

Segundo informações do historiador Irineu Pinheiro, a extinta revista semanal cratense, O Araripe, em sua edição de 13 de fevereiro de 1864, dissertou laconicamente sobre o falecimento da Sra.Bertoleza do Espírito Santo que se encontrava com 109 anos e que pouco antes de falecer, afirmara ter sido o seu cônjuge, Porciano Pereira, o primeiro indivíduo a erigir uma casa na Serra de São Pedro.
O que vou expor aqui não tem nenhuma comprovação histórica. É fruto apenas de leituras que me permitiram fazer essas conjecturas. Portanto, pode ser apenas um devaneio de neurônios ou íons hiperativos, cuja ação é tentar desvendar um passado que nos pertence e que, além disso, explica o presente.
Diante do que foi exposto acima, considera-se tradicionalmente que foi José Joaquim de Santana o iniciador do nosso aconchegante Caririaçu.
Entretanto, em meu singelo prisma foi o fundador de nossa urbe não Santana e sim Cavalcante Campos. Talvez eu esteja divagando e essas palavras sejam uma insolência ao passado, mas vou tentar expor a minha maneira de ver esse fato.
É sabido que Miguel Cavalcante, senão foi o pioneiro em explorar a Serra de São não distava muito em relação a ele.
Segundo relatos históricos, na sua exploração dos solos férteis da serra ele cultivava algodão e mandioca, entre outros gêneros, mas estes dois eram os principais. Assim ele necessitava de uma estrada, rodagem ou vereda, tinha que ter um caminho para escoar os produtos da sua lavoura até um possível consumidor, pois aqui não os tinha. Tinham os índios, mas esses produtos, provavelmente já eram bastante utilizados por eles e a barganha se tornaria inviável ao bandeirante.
Esta estrada poderia ter ido naturalmente para a cidade do Crato ou para o sentido contrário, Lavras da Mangabeira, dando inicio ao que hoje se chama rodovia Padre Cícero. Aos ir para os dois destinos concomitantemente.
Assim pode se ter iniciado a fundação de Caririaçu e não a sua povoação, pois povoada ela já era, ou iremos sonegar os índios?
Com esse possível caminho, José Joaquim de Santana pode ter percebido nisso um negócio vantajoso: abrir um pequeno comércio na cabeceira da serra aproveitando-se do clima e da abundância de água[2] e assim oferecer parcos serviços aos viajantes que por aqui transitavam. Destarte ele mudou-se com a sua família para São Pedro e em torno de sua residência e do seu comércio foram erigindo-se construções e pouco a pouco converter-se em vila e depois na cidade que conhecemos hoje. Diante disso, do meu jeito deformado de perceber os fatos só existiu o comerciante José Joaquim de Santana em Caririaçu porque antes existiu o bandeirante Miguel Cavalcante Campos.
Enquanto a Porciano Pereira ter sido o primeiro a unir tijolos com barro em nossa cidade, existem duas possibilidades óbvias: ou era um bandeirante abastado assim como Cavalcante Campos e foi degustado pelo ostracismo, ou era um pobre e foi caseiro de Miguel Cavalcante Campos sendo o responsável pela vigilância e manutenção do seu latifúndio.

PS: Vale ressaltar mais vez que isso não tem nenhuma comprovação histórica, é apenas o meu modo de interpretar e unir informações coletadas e talvez apareça alguém que munido de documentos derrube a minha teoria. Longe dessa minha tese ser cientifica, mas Karl Popper disse que uma teoria só é cientifica se for racionalmente refutável. Sendo assim que a refutem com argumentos melhores que os meus.



[1] BORGES, Raimundo de Oliveira. Serra de São Pedro Município de Caririaçu (Esboço Histórico). Tipografia e Papelaria do Cariri, Crato 1983. p.30.
[2] Nessa época, na Serra de São Pedro a água brotava naturalmente devido a vasta vegetação virgem que ela ostentava.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Museu Nogueira Machado

O Museu Nogueira Machado teve sua gênese em fins do século XIX e na primeira metade do Séc. XX. Ele surgiu de uma ideia simplória e ao mesmo tempo de uma profunda sapiência do Sr. José Nogueira de Melo (1874-1954) ou Zé Pereira, como era vulgarmente conhecido em São Pedro[1].
José Nogueira de Melo em 1926
Homem extemporâneo, à frente sua época, de incomensurável destreza mental que reunia em si mesmo uma inteligência célebre, teve a transcendental e fenomenal ideia de recolher objetos e quinquilharias que em suas elucubrações pudessem representar fragmentos da história de sua cidade e cercanias.
Assim ele começou a juntar as mais diversas peças, desde pregos e parafusos passando por mobiliários e livros até instrumentos laboratoriais.
Em suas viagens alhures sempre recolhia artigos que lhe despertassem interesse.
Aos poucos a ideia de Sr. “Zé Pereira” foi sendo difundida na comunidade e esta por sua vez, vez por outra levava-lhe alguma peça para compor e medrar o seu cabedal.
Com o seu óbito na década de 1950 e de seus familiares contemporâneos, alguns dos artigos por eles deixados, tornaram-se acervo do museu. Destarte, formou-se assim o acervo do incipiente museu.
Entre os artigos do museu foi encontrado um documento arrolando os museus do Brasil nos anos de 1950, por curiosidade lá estava o nosso com o nome de Museu Nogueira. Para não deixar dúvidas que poderia ser outro museu do nosso país, lá também constava o seu endereço.
Quase sem nenhuma atração no povoado, às peças deixadas pelo sábio homem tornaram-se atrativo turístico da urbe e todo o populacho da vila e forasteiros eram singelamente convidados a apreciarem aquele conjunto de ”ninharias”.
Nos dias atuais a miscelânea chega a suplantar a marca de 3 000 (três mil) artigos subdivididos em coleções: documentos, numismática, peças de mobiliário, história natural, armaria, utensílios domésticos, objetos pessoais, entre outras.
Entre as peças do acervo destacam-se algumas que foram objetos pessoais de personalidades famosas da cidade de Caririaçu e também da região do Cariri.
Sobrepuja-se também dos demais artigos uma coleção de almanaques raros que abarca o período de 1904 a 1960.
Lápide de Zé Pereira
O prédio que abriga o museu localiza-se em Caririaçu na Rua Carlos Morais[2], antiga Rua Grande, à altura do número 485 no centro da cidade, próximo à igreja Matriz de São Pedro. Ele foi erguido em 1908 para servir de residência para Zé Pereira e sua prole, assim permanecendo até 1929.
Nesta época os exemplares museológicos eram acondicionados no Edifício Nogueira, prédio engendrado por Zé Pereira com o propósito de embelezar a auspiciosa e briosa vila. Este edifício está estabelecido no cruzamento das ruas Carlos Morais e Cel. Vulpino da Cunha[3], ou simplesmente Rua da Feira.
Atualmente o prédio do museu encontra-se com a sua estética levemente modificada, tendo as paredes sido revestidas de reboco, porém com o piso (constituído de tijolinhos) e o teto conservados os originais.
Um detalhe interessante encontra-se numa das portas do museu. Na sedição de 14[4] o povo, que se encontrava assolado pela miséria, tentou arrombar a casa de Seu Zé Pereira, onde funcionava uma padaria e uma pequena bodega. Os revoltosos desfecharam golpes de foices e enxadas nessa porta com o objetivo de derrubá-la e apropriar-se dos produtos que ali eram comercializados. Ainda hoje há resquícios nessa porta desse levante.
O formato desta porta, com um recorte na parte superior, muito comum no interior do Nordeste, tem sua origem na Holanda.
A sua fachada apresenta belas cornijas. Fruto da arquitetura clássica de um passado que estamos literalmente extirpando-o.
O Museu Nogueira Machado conjuntamente com o seu acervo não tem o objetivo nem tampouco a pretensão de fotografar o pretérito da cidade de Caririaçu, ele apenas conta um ínfimo fragmento da história da antiga Vila de São Pedro.
Em 2007 foi criada a Associação de Amigos do Museu Nogueira Machado com o intento de angariar recursos para organizar e gerir o conjunto de objetos históricos que se encontravam dispersos. Através desta associação, a SECULT (Secretaria de Cultura do Estado do Ceará) patrocinou o Projeto de Tombamento e Inventário do Acervo (iniciado em janeiro de 2010) por intermédio do Edital Patrimônio 2008.
Atualmente o acervo museológico passa por um processo de higienização, construção dos inventários e tombamento. Galgada esta etapa, finalmente as peças poderão ser expostas para estudos, visitação, apreciação e deleitamento da comunidade “são-pedrense” e visitantes de outras cercanias.


PS: Talvez se nossa cidade fosse administrada por cidadãos genuinamente caririaçuenses (gente da gente e que gosta da gente) e com responsabilidade com o progresso (sim, museu também é progresso e não somente concreto, asfalto, tinta, e semáforo como querem que acreditemos) e com o desenvolvimento de todos os aspectos sociais da nossa comunidade, o Museu já estivesse aberto, funcionando e cumprindo seu dever social e cultural. No entanto, os administradores querem nos calar e nos cegar com essa maldita política de “pão e circo” e clientelismo! Será que alguns dos "santos de plantão” se encaixa nesse perfil???

PSS: O notável mestre Raimundo de Oliveira Borges, certamente o maior pesquisador e estudioso sobre nossa cidade, em algumas das suas ricas, belas e consultáveis obras literárias, fez alusões sobre o “museu de Zé Pereira” e aconselha aos poderes públicos o imediato apoio ao museu para o seu funcionamento. Porém a mesquinhez da política interesseira e a abundância de ignorância que habita na nossa massa cerebral gritam mais alto do que os murmúrios do bem coletivo. Parabéns àqueles que estão na política não para “cuidar do povo”, mas apenas para granjearem vantagens numa sociedade onde não se enxerga meritocracia e é marcada por corruptos conchavos mercadológicos e clientelistas.

Referência Bibliográfica:
BORGES, Raimundo de Oliveira. Serra de São Pedro Município de Caririaçu (Esboço Histórico). Tipografia e Papelaria do Cariri, Crato 1983.


[1] Hoje Caririaçu.
[2] Carlos José de Morais, vulgarmente conhecido como Seu Carlinhos, ex-intendente da cidade.
[3] João Vulpino da Cunha, nomeado primeiro intendente do município. Geriu a vila entre os anos de 1877 e 1899, perfazendo 12 anos de gestão.
[4] Revolta liderada por Padre Cícero e o Deputado Floro Bartolomeu contra o ato do Marechal Hermes da Fonseca, então presidente da República, de tirar as oligarquias (principalmente a Acioly) do poder estadual.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Serra Verde

Próximo ao Distrito de Miragem[1], na fronteira com a cidade de Crato encontra-se a Fazenda Serra Verde. Fundada em 1860, pelo frances Achiles Boris[2]. Ela era fronteiriça como os municípios de Farias Brito, Várzea Alegre, Granjeiro e Crato.
Visita a Antiga Fazenda Serra Verde
A fazenda foi adquirida pelo Cel. Belém do Crato. Ele caiu do poder de 3º vice-presidente do Ceará em 29 de junho de 1904, assumindo o seu posto Cel. Antonio Luiz Alves Pequeno. Boris que era credor de Belem durante o seu governo na cidade cratense, adquiriu a fazenda como forma de quitação de uma dívida de 50 contos de réis.
Cel. Botelho
Para gerir a imensa propriedade foi trazido da cidade de Guaraminga o Sr. Francisco Botelho Filho, mais tarde se tornaria o Cel.Botelho. Conta-se que ele era um sujeito mui extrovertido. Elegeu-se prefeito de São Pedro em 1920. O principal acontecimento do seu governo e um dos mais importantes da nossa cidade foi à inauguração da iluminação elétrica da cidade em 1927. A concessão foi outorgada a firma Borges & Filhos, de propriedade de Clemente Ferreira Borges[3]. Ela pagava 50 mil réis à prefeitura pela concessão. Como homenagem simplória a um dos grandes vultos da nossa cidade, o seu nome foi dado a uma das principais artérias da nossa comuna.
À época, a fazenda era a maior propriedade rural do Ceará. O seu principal produto era o algodão, porem produzia-se também milho, feijão, arroz, cana-de-açúcar e seus derivados como rapadura e aguardente.
No período áureo a propriedade chegou a produzir: Bovinos para o abate - 25.555 arrobas: Matrizes bovinas para a produção - 339 cabeças: Suínos para o abate - 71.800 quilos; Suínos para reprodução -105 cabeças; Arroz 4.400 sacos de 60 quilos; Foram reservadas 100 tarefas para o plantio de arroz, construção de galpões para tratores e máquinas, estábulos, pequeno centro médico, energia e telefone. Muitos desses produtos eram comercializados em outras cidades do Cariri.
Capelinha na Serra Verde
Foi idealizada e construída por Hubert Bloc Boris[4] uma capelinha sacra na propriedade. Esta capela ainda encontra-se de pé e em boas condições de conservação.



[1] Antigo Santos.
[2] Cônsul Frances, banqueiro e exportador.
[3] Pai do ilustre advogado e escritor são pedrense, Raimundo de Oliveira Borges.
[4] Neto de Achiles.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

História da ocupação e formação da Vila Miguel Xavier

Antes da próxima postagem faz-se necessário uma pequena introdução: em respeito aos nossos leitores que escolheram a postagem futura, devemos uma explicação! É com uma honra imensurável que recebi o pedido para ser postado nesse mísero blog, um texto muito valioso para a história da nossa cidade e especialmente do Distrito de Valença. Assim, amigo leitor, esse texto não pode ser submetido à votação, ele tem que ser logo publicado e você terá mais alguns dias para escolher o próximo texto. Isso vale para quem tiver um texto que queira expor é só entrar em contato que teremos o maior orgulho do mundo em posta-lo.
Muito obrigado pela compreensão!

Por Prof. Cristiano Gomes Lopes
Para entender o processo de ocupação de que hoje e a Vila Miguel Xavier, deve-se também fazer referencia a ocupação do Cariri com um todo, pois foi a partir daí que a história começa a tomar rumo à formação dessa Vila.


O processo de fixação humana no Cariri inicia-se no final do século XVII com o ciclo do couro intensificada as margens do Rio São Francisco e seus afluentes que futuramente se transformaram nas sesmarias concedidas na época do segundo império, os primeiros colonizadores brancos constam como tendo sido formados por agentes da Casa da Torre (Bahia), seguidos de pernambucanos e sergipanos, ocupando terras localizadas no Riacho dos porcos (Brejo dos Santos), no extremo sul da Capitania. Muitos alcançaram esse riacho e daí se bifurcando para o Jaguaribe, ou penetrando nos terrenos férteis ao sopé do que seria a Chapada do Araripe. Alguns vieram pelos caminhos do Riacho do Pajeú (Pernambuco) ou o riacho da Brígida, afluente do São Francisco. No lado pernambucano, surgem povoações, fundadas por capuchinhos (Exú), em 1705, tendo apenas a serra do Araripe de permeio, a separá-la do lado cearense, no local onde se fundou a missão do Miranda que, depois, quando vila, recebeu o nome de Crato. Foram criadores, que atravessaram ínvios sertões em busca de pastagem para o gado, e com a ânsia de disseminar a criação, pioneiros da colonização caririense. Essa descida terá ocorrido por volta das décadas finais do Século XVII, época em que se registra a presença do colonizador branco nas terras até então ocupados somente pela raça nativa.
Na primeira década do Século XVIII ou, precisamente. Nos anos de 1702/1704, tem-se como primeiro cessionário de terras no Cariri o sesmeiro rio-grandense (Norte), Manuel Rodrigues Ayrosa. Sua posse situava-se na gleba São José, no vale denominado de Lagoa do Ayrosa, entre as cidades que posteriormente se denominariam de Crato e Juazeiro (Sítio São José)
Em períodos seguintes, porém quase simultaneamente, chegam à região outros desbravadores dos quais se destacam o Coronel Antônio Mendes Lobato e Gil de Miranda, que muito viriam contribuir em prol dos avanços da colonização. A partir de 1714, quando os investidores pernambucanos e baianos iniciam suas descidas, formando contingentes mais numerosos, o imenso Vale do Cariri passa por sucessivas divisões, em povoamento rápido e altamente produtivo.
Onde a colonização dessa religião se deu com a criação de gado e o cultivo da cana de açúcar e um principio de mineração e a exploração e dizimação dos nativos (índios Kariris) onde hoje são os municípios de missão Velha, Crato e Barbalha.
Foi justamente em busca de terras para explorar que por volta de 1830 se instalaram no sítio Salamanca (hoje Barbalha) vários portugueses e seus descendentes, entre eles Miguel Henrique Xavier de Oliveira e um irmão de nome não apurado nessa pesquisa, onde os mesmos estavam tentando adquirir sesmarias doadas pelo Império. Sem obter muito êxito na aquisição da Sesmaria desejada, o senhor Miguel Henrique Xavier de Oliveira deixou seu irmão no sítio Salamanca e veio com a esposa e alguns escravos tomar posse de uma grande propriedade de terras situada as margens do rio Jenipapeiro cerca de 50 km de sua antiga morada.
Nessa propriedade, Miguel Xavier tratou de criar gado e cultivar mandioca e cana de açúcar, prosperando e se tornando figura importante nessa época, pois, conquistou o título de Deputado Provincial sendo eleito em 1842 atuando na Vila Real do Crato.
Durante o período da Guerra do Paraguai (1964 a 1870) a província do Ceará mandou para o combate quase dez mil homens sem nenhuma experiência militar para o confronto, e para fugir do recrutamento muitos sertanejos procuravam proteção a Miguel Xavier que lhes dava comida e abrigo em troca de seus serviços, desenvolvendo uma espécie de servidão, pois esses trabalhadores não eram remunerados e desempenhavam o papel de servos construindo açudes, casas e rústicas estrada. Assim dezenas de pessoas recebiam proteção em troca de sua servidão, pois mesmo estando no período escravista, os protegidos de Miguel Xavier não eram escravos, se tratando de brancos e mestiços.
Acabada a Guerra do Paraguai, D. Pedro II cria a Guarda Nacional surgindo os Coronéis do sertão, mas um fato curioso foi o de Miguel Xavier passar a ser chamado de Major ao invés de Coronel.
Por ter conhecimento de topografia. O “Major” Miguel deu o nome de sua propriedade de Sítio Caatinga redonda, devido a sua vegetação e por existirem dois riachos (riacho da caatinga redonda e riacho do pia) que nasciam em um mesmo ponto e faziam seus trajetos até desaguarem no mesmo rio (Jenipapeiro), sendo esse trajeto arredondado.
Por volta de 1875, o Sítio Caatinga redonda contava com uma “casa grande”, uma capela, um cemitério e algumas taperas de barro onde moravam os escravos e agregados do Major Miguel, pois não havia senzala.
Com o trabalho dos escravos e dos homens abrigados pelo major, a Caatinga Redonda começa a se transformar em um pequeno povoado e perdendo as características de fazenda e tomando forma de um embrião urbano, sendo que sua economia baseava-se agora no cultivo de algodão e na agricultura de subsistência existindo nesse período uma casa comercial (bodega), uma casa de farinha e um engenho localizado no que hoje é conhecido co Sítio Saco que na época era incorporado as terras do Major.
Devido os vários caminhos abertos pelos braços dos negros e agregados do Major, a Caatinga redonda era passagem e alternativa para quem vinha do Sitio da Venda (Futura Aurora) e Missão Velha e ia para São Pedro do Crato (Caririaçu) e o Crato.
Depois de se chamar a Caatinga redonda, em 1935 veio para o povoamento o vigário de São Pedro do Crato (Caririaçu) chamado Padre Chagas que, encontrou na localidade a casa grande (abandonada), a capela em total abandono junto ao cemitério que a circulava , tendo como moradores as famílias Eugênio, Batista e Gomes, uma vês que outra família como moradores morreram com a cólera, varíola e a fome e outras abandonaram o povoado para morar em Juazeiro.
Com muito trabalho o padre Chagas conseguiu fazer vários melhoramentos no povoado que passou a ter como padroeiro São Vicente Ferrer modificando o nome do povoado para Valença em homenagem ao santo, sendo que essa denominação não foi legalizada.
Nesse período aconteceram às missões por frei Damião que atraia gente de todas as localidades vizinhas e aos poucos a Valença tornava-se um lugar de muita oração com a fundação da confraria de São Vicente e as irmandades de Maria Nossa Senhora do Carmo.
A partir daí o povoado volta a prosperar com a vinda de outras famílias com o intuito de fixar residência. Nesse período a capela foi derrubada e erguida uma nova igreja (Igreja de São Vicente Ferrer) construída em cima do antigo cemitério que deu espaço para a praça que leva o nome do padre Cícero e o cemitério foi erguido próximo ao vilarejo, que nesse período já existia duas ruas.
Em 1951 através da lei 243/51 o povoado de Valença passa a categoria de vila e passa a se chamar Vila Miguel Xavier sediando o distrito que também levaria o mesmo nome, fato esse que homenagearia o fundador do povoamento mas, não agradaria a toda população da nova vila , pois muita gente ainda acredita na lenda do “Cão da Valença” que supostamente seria finado o Major Miguel, fato esse que deve ser esclarecido, uma vês que o major foi uma figura marcante na história local do povoado, e o conhecimento de sua biografia podem livrá-lo desse rótulo tão pejorativo.
Pela lei estadual nª 6511, de 05 de setembro de 1963, o Distrito de Miguel Xavier é desmembrado do Município de Caririaçu, sendo elevado a categoria de Munícipio, porem a lei estadual nª 8339, de 14 de dezembro de 1965 reintegra o distrito de Miguel Xavier ao Município de Caririaçu.
Muitos outros fatos permeiam a História da Vila Miguel Xavier, Fatos esses que serão mostrados futuramente em outras postagens.

Extraído integralmente do blog: http://loucoporhistorialocal.blogspot.com/