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sexta-feira, 6 de julho de 2012

ABERTA A TEMPORADA DE NEGOCIAÇÕES... "VÃO DÁ AS CARA"!

                                                                                                                                     Por Antonio Messias



Voto não tem preço, têm consequências. O voto antes de qualquer coisa é um direito, direito esse que muitos sofreram para conquistar. O voto em si tem sua história, suas curiosidades. Neste texto colocarei um pouco dessa história para que se possa ter uma percepção de quão importante é esse direito.
As eleições no Brasil teve início cedo, 32 (trinta e dois) anos após seu descobrimento. Ela se deu na Vila de São Vicente no ano de 1532. Somente votaram aqueles que eram considerados “homens bons”.  Dentro desse ciclo de homens bons estavam gente qualificada pela linhagem familiar, pela renda e propriedade. Assim como aqueles que participavam da burocracia civil e militar da época.
Só em 1821 ocorreu a primeira eleição brasileira em moldes modernos. Foram eleitos os representantes do Brasil para as Cortes Gerais. 
Em 1824 foram definidas, por dom Pedro I, na primeira Constituição brasileira, as primeiras normas do Sistema Eleitoral. O voto era obrigatório, porém censitário. Aqueles que podiam votar eram somente os homens com mais de 25 (vinte e cinco) anos e com uma renda anual delimitada. Nesse caso, menores de 25 (vinte e cinco) anos de idade, mulheres, os assalariados em geral, os soldados, os índios e – sem dúvidas- os escravos estavam excluídos desse processo eletivo.
Em 1881, o Sistema Eleitoral passou por outra mudança: a Lei Saraiva introduziu o voto direto, mas ainda censitário. E somente 1,5% da população brasileira tinha a capacidade eleitoral (de votar e ser eleito), mas isto só se deu até o fim do império.
Na primeira eleição direta para presidente da república, em 1894, Prudente de Morais chegou ao poder com aproximadamente 270 (duzentos e setenta) mil votos, 2% da população do Brasil na época.
E só no século XX, em 1932 para ser mais preciso, é que foi instituído o voto feminino no Brasil. As mulheres conquistaram, depois de muitos anos de reinvindicações e discussões, o direito de eleger e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo. Mas em função da ditadura de Getúlio Vargas (1937-1945), só vieram a votar de novo em 1946. (Essas ditaduras -Vargas e Militares- privaram o eleitorado nacional por nove vezes, nove eleições).
Mesmo sendo instituído o voto a partir da república, no inicio desse período no Brasil, vigorou um sistema conhecido popularmente como coronelismo. Este nome foi dado, pois a política era controlada e comandada pelos coronéis. Além da politica, a consciência do povo também era comandada pelos coronéis. As pessoas eram forçadas a votarem em quem os coronéis mandassem, esse ato ficou conhecido por voto de cabresto.
Hoje a situação é bem diferente destas citadas até então. Atualmente o voto além de direto é um dever de cada cidadão brasileiro. Sendo facultativo para aqueles que têm entre 16 e 18 anos e pessoas com mais de 70 anos.
Agora não temos problemas com a falta desse direito, com ditadura ou mesmo o cabresto aplicado pelos coronéis. Mas, temos uma falta de conscientização de muitos votantes. E talvez esse seja um dos maiores problemas que se tenha. Muitos dos eleitores não se importam com o sacrifício que muitos fizeram para conquistar esse direito. Muitos morreram para que chegássemos hoje a expressar essa nossa opinião.
O voto é a nossa única e mais eficaz voz dentro desse sistema democrático. O voto tem igual valor para todos, não importa se o eleitor é negro, branco, pardo, indígena, pobre, rico, analfabeto, instruído, católico, evangélico enfim, sem distinção de raça, cor, classe, religião, sexualidade. Todos tem essa voz, e de igual valor para todos. Ele é a única maneira de dizer sim ou não dentro desse contexto politico.
De modo algum ele pode ser comparado como uma mercadoria, ser trocado por dinheiro, favores políticos, sacos de cimentos ou dentaduras. Será mesmo que vale a pena trocar por R$ 50,00 aquilo que muitos se sacrificaram para conseguir para você?
Nessa sociedade competitiva aquele que é mais preparado adquiri espaço de mercado de trabalho. Nesse contexto, no mercado eleitoral deveria ser dessa forma, antes de votar, procure descobrir sobre o passado do(s) seu(s) candidatos(s), de onde vem, para onde ir, escute suas propostas, veja se elas se enquadram dentro do contexto local,  e principalmente se podem ser prometidas. Não adianta prometer um mundo utópico se ele não tem condições de cumprir. Verifique se ele é ficha limpa. E, o que diz a comunidade sobre ele?
Muitas vezes, alguns, ou muitos, dizem: “Que nada! Vou é vender meu voto. Esses políticos safados só vêm aqui em épocas de eleição e depois não dão mais as caras”. Talvez isso seja porque a população já esteja cansada com tanto descaso desses políticos, e na verdade muitos fazem isso. O que têm de politico chorando em velório em época de eleição não é brincadeira.
Mas, vender o voto não é o aconselhável, quando se vende o voto, vende-se também a consciência. Em nenhum momento, independente da situação, você poderá cobrar alguma coisa de um politico se você vender seu voto, pois você vendeu junto a sua voz. Não devemos tratar o nosso voto como produto, temos que usa-lo da melhor forma, sendo consciente nas nossas escolhas.
Uma má escolha pode significar situações irreparáveis dentro de determinado território. Atualmente, ou quase sempre, o Brasil vive assolado pela corrupção, e a aqueles que deveriam zelar pelo bem do povo são os primeiros que dão uma rasteira na sociedade. São escândalos por cima de escândalos. Investigações por cima de investigação, mas como sempre, não dá em nada, com exceção das pizzas.
Viu? O uso consciente desse seu poder é que fará com que se crie uma sociedade mais justa e igualitária. E Se é pra ser justo e igualitário, todos tem que ter o mesmo poder. Temos que saber escolher aqueles que nos representarão. Uma atitude sem consciência pode gerar danos irreparáveis. Seja cidadão, mostre seu valor dentro da sociedade.
 E só pra lembrar VOTO NÃO TEM PREÇO, TÊM CONSEQUÊNCIAS!


E aí caririaçuense qual será a consequência do seu voto?








Referências Bibliográficas
Antonio Carlos Oliveiri 


acessado em 06/06/2012 às 13h56mim.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Museu Nogueira Machado

O Museu Nogueira Machado teve sua gênese em fins do século XIX e na primeira metade do Séc. XX. Ele surgiu de uma ideia simplória e ao mesmo tempo de uma profunda sapiência do Sr. José Nogueira de Melo (1874-1954) ou Zé Pereira, como era vulgarmente conhecido em São Pedro[1].
José Nogueira de Melo em 1926
Homem extemporâneo, à frente sua época, de incomensurável destreza mental que reunia em si mesmo uma inteligência célebre, teve a transcendental e fenomenal ideia de recolher objetos e quinquilharias que em suas elucubrações pudessem representar fragmentos da história de sua cidade e cercanias.
Assim ele começou a juntar as mais diversas peças, desde pregos e parafusos passando por mobiliários e livros até instrumentos laboratoriais.
Em suas viagens alhures sempre recolhia artigos que lhe despertassem interesse.
Aos poucos a ideia de Sr. “Zé Pereira” foi sendo difundida na comunidade e esta por sua vez, vez por outra levava-lhe alguma peça para compor e medrar o seu cabedal.
Com o seu óbito na década de 1950 e de seus familiares contemporâneos, alguns dos artigos por eles deixados, tornaram-se acervo do museu. Destarte, formou-se assim o acervo do incipiente museu.
Entre os artigos do museu foi encontrado um documento arrolando os museus do Brasil nos anos de 1950, por curiosidade lá estava o nosso com o nome de Museu Nogueira. Para não deixar dúvidas que poderia ser outro museu do nosso país, lá também constava o seu endereço.
Quase sem nenhuma atração no povoado, às peças deixadas pelo sábio homem tornaram-se atrativo turístico da urbe e todo o populacho da vila e forasteiros eram singelamente convidados a apreciarem aquele conjunto de ”ninharias”.
Nos dias atuais a miscelânea chega a suplantar a marca de 3 000 (três mil) artigos subdivididos em coleções: documentos, numismática, peças de mobiliário, história natural, armaria, utensílios domésticos, objetos pessoais, entre outras.
Entre as peças do acervo destacam-se algumas que foram objetos pessoais de personalidades famosas da cidade de Caririaçu e também da região do Cariri.
Sobrepuja-se também dos demais artigos uma coleção de almanaques raros que abarca o período de 1904 a 1960.
Lápide de Zé Pereira
O prédio que abriga o museu localiza-se em Caririaçu na Rua Carlos Morais[2], antiga Rua Grande, à altura do número 485 no centro da cidade, próximo à igreja Matriz de São Pedro. Ele foi erguido em 1908 para servir de residência para Zé Pereira e sua prole, assim permanecendo até 1929.
Nesta época os exemplares museológicos eram acondicionados no Edifício Nogueira, prédio engendrado por Zé Pereira com o propósito de embelezar a auspiciosa e briosa vila. Este edifício está estabelecido no cruzamento das ruas Carlos Morais e Cel. Vulpino da Cunha[3], ou simplesmente Rua da Feira.
Atualmente o prédio do museu encontra-se com a sua estética levemente modificada, tendo as paredes sido revestidas de reboco, porém com o piso (constituído de tijolinhos) e o teto conservados os originais.
Um detalhe interessante encontra-se numa das portas do museu. Na sedição de 14[4] o povo, que se encontrava assolado pela miséria, tentou arrombar a casa de Seu Zé Pereira, onde funcionava uma padaria e uma pequena bodega. Os revoltosos desfecharam golpes de foices e enxadas nessa porta com o objetivo de derrubá-la e apropriar-se dos produtos que ali eram comercializados. Ainda hoje há resquícios nessa porta desse levante.
O formato desta porta, com um recorte na parte superior, muito comum no interior do Nordeste, tem sua origem na Holanda.
A sua fachada apresenta belas cornijas. Fruto da arquitetura clássica de um passado que estamos literalmente extirpando-o.
O Museu Nogueira Machado conjuntamente com o seu acervo não tem o objetivo nem tampouco a pretensão de fotografar o pretérito da cidade de Caririaçu, ele apenas conta um ínfimo fragmento da história da antiga Vila de São Pedro.
Em 2007 foi criada a Associação de Amigos do Museu Nogueira Machado com o intento de angariar recursos para organizar e gerir o conjunto de objetos históricos que se encontravam dispersos. Através desta associação, a SECULT (Secretaria de Cultura do Estado do Ceará) patrocinou o Projeto de Tombamento e Inventário do Acervo (iniciado em janeiro de 2010) por intermédio do Edital Patrimônio 2008.
Atualmente o acervo museológico passa por um processo de higienização, construção dos inventários e tombamento. Galgada esta etapa, finalmente as peças poderão ser expostas para estudos, visitação, apreciação e deleitamento da comunidade “são-pedrense” e visitantes de outras cercanias.


PS: Talvez se nossa cidade fosse administrada por cidadãos genuinamente caririaçuenses (gente da gente e que gosta da gente) e com responsabilidade com o progresso (sim, museu também é progresso e não somente concreto, asfalto, tinta, e semáforo como querem que acreditemos) e com o desenvolvimento de todos os aspectos sociais da nossa comunidade, o Museu já estivesse aberto, funcionando e cumprindo seu dever social e cultural. No entanto, os administradores querem nos calar e nos cegar com essa maldita política de “pão e circo” e clientelismo! Será que alguns dos "santos de plantão” se encaixa nesse perfil???

PSS: O notável mestre Raimundo de Oliveira Borges, certamente o maior pesquisador e estudioso sobre nossa cidade, em algumas das suas ricas, belas e consultáveis obras literárias, fez alusões sobre o “museu de Zé Pereira” e aconselha aos poderes públicos o imediato apoio ao museu para o seu funcionamento. Porém a mesquinhez da política interesseira e a abundância de ignorância que habita na nossa massa cerebral gritam mais alto do que os murmúrios do bem coletivo. Parabéns àqueles que estão na política não para “cuidar do povo”, mas apenas para granjearem vantagens numa sociedade onde não se enxerga meritocracia e é marcada por corruptos conchavos mercadológicos e clientelistas.

Referência Bibliográfica:
BORGES, Raimundo de Oliveira. Serra de São Pedro Município de Caririaçu (Esboço Histórico). Tipografia e Papelaria do Cariri, Crato 1983.


[1] Hoje Caririaçu.
[2] Carlos José de Morais, vulgarmente conhecido como Seu Carlinhos, ex-intendente da cidade.
[3] João Vulpino da Cunha, nomeado primeiro intendente do município. Geriu a vila entre os anos de 1877 e 1899, perfazendo 12 anos de gestão.
[4] Revolta liderada por Padre Cícero e o Deputado Floro Bartolomeu contra o ato do Marechal Hermes da Fonseca, então presidente da República, de tirar as oligarquias (principalmente a Acioly) do poder estadual.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Padre Cícero em Caririaçu


Os anais da história revelam que o padre Cícero Romão Batista foi vigário da paróquia de São Pedro do Crato no final do século XIX.
São Pedro do Crato tornou-se Caririaçu e desde sempre se comenta na cidade que Caririaçu foi à única urbe onde o padre foi vigário. Parece até um mantra verbalizado pelos habitantes mais velhos ensinando e transmitindo inconscientemente aos mais novos a também repetirem a desgastada e ineficiente frase: Caririaçu é a única cidade onde o Padre Cícero foi vigário.
Ineficiente porque ao repetirem a tal frase eles reivindicam que a cidade progrida explorando a imagem do sacerdote.
Entretanto ninguém busca realmente conhecer como se deu a passagem do núncio na Serra. Não investigamos o passado que nos pertence, não procuramos conhecer pessoas, objetos e fatos sociais que contribuíram para as coisas estarem como estão. Fruto ainda da ignorância de uma sociedade comandada por coronéis.
Apenas ligamos a TV e postamos frasesinhas bonitinhas nas redes sociais. No facebook manifestamos todo o nosso amor a Deus, mas não ligamos se o nosso vizinho tem o que comer, afinal a divindade maior está no mundo virtual e volátil dos computadores e não na solicitude com os irmãos terrenos.
Mas Caririaçu hoje conta com uma classe universitária considerada, ela engloba diversas áreas do conhecimento humano e que poderá esmiuçar a estada do famoso padre em nossa cidade.
Universitários pelo respaldo que vocês têm diante da sociedade e pela responsabilidade com o desenvolvimento holístico da mesma, a bola está com vocês. E aí, vai ser gol?
Porém, não é de total responsabilidade da classe estudantil o resgate dos fatos passados com implicações no presente. A classe política e empresária também poderia dar a sua contribuição. Pois só teriam a ganhar explorando o turismo religioso em nossa “Serra”! Isso traria geração de emprego, renda e de oportunidades para uma gente marginalizada por não ter os subsídios para adentrar no “mundo civilizado: o consumismo”.
Todavia, nada fazem para explorarem esse acontecimento, a não ser verbalizarem a arcaica expressão: Caririaçu é única cidade onde o Padre Cícero foi vigário.
Seria legal compilar todas as informações que alguns indivíduos da cidade sabem a respeito do cearense do século. Depois fazer uma conferencia, reunião, seminário, simpósio, encontro, assembleia, conciliábulo, não importa a terminologia, importa é fazer alguma coisa.
Sociedade civil, vamos manifestarmos-nos. Edilidade mostre que serve para alguma coisa que melhore realmente a vida das pessoas ou irão apenas ficar se digladiando para ver quem brada mais alto? Gestão municipal isso pode angariar muitos votos.
Agora temos o DECULT (Departamento de Cultura). Esperamos que ela faça alguma coisa em relação ao que está sendo dito por essas franzinas palavras e não seja somente um meio de manipulação e contentamento dos soldados ideológicos.
Vamos ler, perguntar, conhecer, discutir, sei lá. Vamos fazer alguma, o tempo corre, ou apenas iremos simplesmente usar aquela obsoleta e tola sentença que não convém mais repetir???

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Afinal, pé rachado ou rasga-milho???

Já foi dito inúmeras vezes que este vil blog não é o púlpito de nenhum político local. Todavia, algumas pessoas continuam enganadas, o considerando como veículo de propaganda da oposição.
Em relação a isso já pensei seriamente em desativá-lo, pelo simples motivo de muitos não compreenderem verdadeiramente o que está escrito aqui ou por distorcerem o sentido das palavras e por tentarem maculá-lo pela nódoa do sectarismo da politicagem. Também porque quem escreveu essas pobres linhas não querer se encobrir com o lençol da ignorância que envolve alguns fanáticos. Mas não se engane amigo leitor, acreditando que quem agrupou essas palavras se considera um sujeito sapiente, ao contrário, é um individuo que só busca se desvencilhar dos grossos retalhos deste lençol que ofuscam a luz do conhecimento. Por enquanto, alguns amigos dissuadiram-me dessa ideia.
Pessoas já mim perguntaram pessoalmente se eu sou pé rachado ou rasga-milho. Para algumas respondi de maneira cômica: nem um e nem o outro, ou os dois, não tenho lado, sou redondo.
Vale ressaltar mais uma vez: este blog não apoia e também não desapoia nenhuma facção política da Serra de São Pedro. O que acontece claramente é que às vezes ele faz algumas críticas à administração pública municipal. Críticas fundamentadas na observação e no empirismo. Diferente de alguns meios midiáticos que há na nossa cidade, que tem como orientação editorial, o explícito sensacionalismo com a inoperância do governo municipal.
Essas críticas ensejaram alguns oposicionistas algumas vezes a se identificarem com este miserável blog. Destarte, que culpa tenho?
Se alguma vez atirei lenha na fogueira das vaidades, foi por pura ingenuidade e sem nenhuma intenção.
Nós que fazemos esta página na grande rede emitimos críticas sim, mas não críticas ao léu e quiçá poderemos fazer mais. Somos totalmente independentes e não barganhamos com ninguém, não fizemos favores e nem tampouco foi feito favor político nenhum a este blog. Resumindo: não temos padrinhos políticos e muito menos “rabo preso”. Não vendemos nossa consciência em troca de favores pessoais. Não vendemos nossa alma ao diabo e jamais auferimos um centavo sequer com este blog. O fazemos e o atualizamos acreditando que nossa cidade pode ser uma gleba mais agradável (entenda-se como uma sociedade onde aconteçam mais discussões e não meramente os embates dissonantes e infames da politicalha) e esta é a nossa contribuição para isso, embora modestíssima.
Tem algumas pessoas que circulam por aí afirmando que este blog está falando mal de todo mundo. Pois bem, então vamos nos defender. Vivemos num sistema de governo que permite qualquer cidadão emitir sua opinião sobre qualquer coisa (a famosa liberdade de imprensa), inclusive sobre a instituição legitimada para gerir os negócios públicos, a saber, a política.
Já na Grécia antiga, séculos antes de Jesus Cristo, Aristóteles afirmava na ágora de Atenas que o homem é um animal político (está incluído numa sociedade) e deve participar das deliberações que acontecem no seu meio social. Mas se não tem participação nenhuma, pode perfeitamente sem chamado de idiota.
Quando disse minha opinião, não mim posicionei contra e nem a favor. Não é função deste simples blog julgar e muito menos condenar ninguém. Só que temos um ego muito frágil e não aceitamos críticas, mesmo sabendo que elas representam a melhor forma para aprimoramentos. Sem essa de crítica construtiva ou destrutiva, isso é balela. Toda crítica tem a sua utilidade.
Sendo assim, só disse o que penso. Jamais, em hipótese alguma foi difamado aqui qualquer cidadão, seja da situação ou da oposição. Dificilmente citamos nomes para que isso não gere mal-estar desnecessário.
O problema é que acreditamos no velho adágio que afirma que política não se discute. Lógico que se discute, o que não se discute é falta de conhecimento, dogmatismos e soberba.
A política, ao contrário do que muita gente ingenuamente pensa, é uma ciência e tem como principal vulto, o gênio das coisas terrenas, o grande Nicolau Maquiavel. Sendo ciência e como a sua prática é quem decide tudo em torno do nosso “Deus moderno”, o dinheiro, por que ela não vira disciplina escolar? Será que quem deve iluminar não está apenas iludindo?
No auge da imaturidade de vinte e poucos anos, ainda não consegui discernir qual a diferença entre o grupo modebra, agora pé rachado, e o grupo rasga milho. Qual a diferença entre um e outro? Quais os desejos e necessidades de um que o outro também não os tenha? O que faz um depreciar o outro? Por que essa segregação? O que eles entendem por estarem todos enclausurados no mesmo substantivo? E que substantivo é esse?
Arte por Isac Design
O que faz um indivíduo de um grupo mudar para o outro: favores pessoais? Princípios ideológicos? Corrupção de valores? Aguardente em abundância? Status? Ou simplesmente o culto ao dinheiro?
Mas alguém pode dizer que rasga-milho e pé rachado, tratam-se, respectivamente, do principio democrático de situação e oposição. Pode até ser que seja isso. Contudo, onde está às discussões políticas para se conseguir o bem comum? O que se observa é a apartheid[1]: por um lado, os situacionistas tentando legitimar todos os atos (e a falta deles também) da administração e por outro, os oposicionistas que não observam nada digno de louvor nas ações do poder executivo municipal. Diante disso quem são os donos da verdade e quem são os donos da mentira?
Se inserir-se nesse meio for normal, então eu quero ser anormal. Nessa “guerra santa”, eu sou um agnóstico fanático.




PS: Sou um pobre coitado, sem eira nem beira, como diz os nossos amigos “beradeiros” e no futuro próximo poderei necessitar de algum serviço prestado pela prefeitura e provavelmente serei privado desse serviço. Privado?! Por quê? Porque para os políticos (os que estão no poder e os querem estar) o povo não deve pensar e muito menos fazer questionamentos. Quem proceder-se dessa maneira será visto como inimigo contumaz. Vejamos uma coisa, Platão disse que o governo ideal seria gerenciado por filósofos. Porém na contramão disso, os políticos não toleram ninguém que ouse pensar, eles almejam apenas que todos façam parte do séquito de soldados da sua doutrina, cujo soldo é a perpetuação da ignorância.


[1] Divisão da população em negros e brancos acontecida na África do Sul.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Conferência de Cultura

No dia 28 de fevereiro de 2012 a prefeitura de Caririaçu juntamente com o Centro Cultural Raimundo de Oliveira Borges, realizaram a 3ª Conferência Municipal de Cultura, com o tema: Cultura, Diversidade, Cidadania e Desenvolvimento.
Adicionar legenda
Conferência muito proveitosa com a palestra do Doutor em Filosofia, Luiz Manoel. Formação de GT (grupos de trabalho) nos quais se discutiu como resgatar, conservar e potencializar a cultura da Serra de São Pedro. Como moção principal os GTs indicaram a criação de uma secretaria municipal exclusivamente para a cultura. Pois ela está englobada a outras pastas da administração.
A baixa ficou por conta da ausência das autoridades políticas. Apareceram o prefeito e um vereador pré-candidato a prefeito em nossa cidade. Porem estiveram somente para discursar na abertura do evento.
A oposição também não apareceu, “nenhum pé de vivente”, o que é lastimável.
Medo e insegurança de serem confrontados, ignorância (falta de conhecimento) ou simplesmente idiotice? Não se sabe o motivo do não comparecimento dos marqueteiros políticos de nossa cidade nessa conferência. Será que cultura não angaria votos?
Perdemos a oportunidade de auferir novos conhecimentos. Não é todo dia que temos a nossa disposição um filósofo da Academia. Todavia o pobre homem proferiu suas sábias palavras para quase ninguém.
Quem sai perdendo é a sociedade civil, nós amigos leitores, que poderíamos nessa conferência sentar e discutir com os políticos a inefável cultura da nossa urbe e assim vislumbrar dias melhores para os nossos artistas, cantores, artesãos, músicos, professores, entre outros e quem sabe até frear um pouco a dizimação do patrimônio histórico material, tão praticado atualmente em nosso Caririaçu.
Todavia, os políticos não compareceram. Fato curioso, pois estamos em ano de eleição e os candidatos estão ávidos por estarem presentes em propagandas gratuitas. Mas não apareceram na conferência de cultura. Por que será? Será que já têm calculado o valor pecuniário que irão investir para entrar no vantajoso mercado da politicalha e por isso não precisam se preocupar com a cultura da nossa cidade? Fica a pergunta... alguém que souber, por favor responda!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Jornada Escoteira

No período do carnaval, o 26ºGrupo de Escoteiros de Nossa Senhora do Carmo foge das habituais bebedeiras e faz um tour por regiões da Zona Rural de nossa cidade.
O grupo de escoteiros juntamente com alguns convidados e esse ano com escoteiros de Juazeiro do Norte, saiu da sua sede por volta das 3 horas da manhã do dia 18 (sábado de carnaval).
A caravana deixou a sede do nosso município pela Avenida Cachimbão e adentrou as grotas da Serra de São Pedro, passando pelos sítios Monte, Santa Cruz (Chocalho), São Lourenço, Poço de Paus, Anda Sol, Distrito de Primavera para finalmente chegar ao seu destino, o sítio Genipapeiro, onde ficaram hospedados até a terça-feira à tarde.
Para quem participou da jornada, é uma experiência encantadora, pois ela proporciona contato direto com algumas das belezas naturais do nosso Caririaçu. Passamos por trechos de mata virgem e inúmeros córregos, em alguns tomamos belos banhos. As águas desses riachos até parecem miraculosas, pois dá a impressão de levar consigo o estresse da enfadonha e maravilhosa caminhada.
Merece destaque, a simplicidade do povo rural. Enquanto as pessoas da cidade parecem fazer questão de ignorar uns aos outros (a não ser que uma tenha um status superior), a gente da “roça” dá todo o conforto possível, mesmo que seja o mínimo. Mas o mais importante, nesses dias de individualismo extremo e depressões a mil, esse povo dá toda atenção imaginada. Para exemplificar isso, podemos citar a estada na casa de uma senhora conhecida por Elisabete, no sítio São Lourenço, observa-se que ela é paupérrima e observa-se também que todos da jornada se sentiram bastante a vontade nas parcas acomodações de seu mísero lar. Outro caso foi na Vila Primavera, na casa da ex-escoteira Fabiana, onde também todos sentiram-se humildemente agraciados pelo conforto físico e mental.
Jornada muito boa, com paisagens exuberantes e emolduradas pela cerração da Serra de São Pedro!
Casa da Sra. Elisabete
Enfrentando as intempéries da natureza. A chuva caindo sobre os ombros e ninguém fraquejando, todo mundo seguindo seu caminho na maior paz e alegria. Vale ressaltar também o sentimento comum de partilha e companheirismo, onde se dividiu comida, água e peso.
Enfrentando a chuva e a cerração
Parabéns ao grupo de escoteiros de Caririaçu que conseguiu reunir muitos jovens com o objetivo de se divertir sem ingerir nada de bebida alcoólica, o que para os dias atuais é um grande feito.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Enquanto isso na sala de justiça...

POR ANTONIO MESSIAS

E dizem que Caririaçu é parado, isso é verdade, quase sempre é a mesma rotina. Mas, se você procura por diversão e uma boa dose de humor, nós temos, e como temos. Um exemplo são as sessões plenárias da Câmara Legislativa do nosso município.
A casa, assim chamada pelo atual presidente. Ficava me perguntando o porquê de o mesmo, repetidas vezes, falar esse vocábulo. E não demorou muito e cheguei a uma resposta: é porque eles se sentem em casa, no uso literal da palavra. A postura de alguns, é como se estão sentados numa poltrona bem confortável, onde nos acomodamos para assistir a um filme ou outra coisa qualquer, sem a menor relevância.
E como estão em casa, falam o que querem e da maneira como querem, sem ao menos, se importarem com a presença dos visitantes presentes no recinto.
Sinceramente, o público, em sua maioria, é bem participativo com suas vaias e iam ao delírio quando algumas coisas lhes eram de algum proveito.
O que se podia ver era uma casa muito engraçada, diferente da que está no endereço da rua dos bobos número zero, só que mais desestruturada em vários aspectos. Representantes que não param para ouvir nem as respostas de seus requerimentos. Acredito que só parariam para ouvir alguma coisa se saíssem de seu próprio umbigo.
Afirmo que em nenhum momento tive vergonha de dizer que sou caririaçuense, mas depois de presenciar o que acontece numa sessão plenária da câmara de vereadores da minha cidade, começo a mudar de ideia. Digo mais, as pessoas que nos representam deviam zelar pela ética e a moral, se é que conhecem o significado de tais palavras.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

1º Ano do Blog

Agora no mês de fevereiro este miserável blog intera seu primeiro ano de atividade, se fosse rico faria aniversário.
Brincadeiras a parte, esta página na grande rede surgiu de uma ideia coletiva em divulgar e incentivar a indústria do turismo em Caririaçu, que será o grande negócio do futuro próximo. Porém, quase todas as pessoas deixaram morrer aquele ideal. Mas não todos, Francisco Pereira de Sousa com pouca instrução, conhecimento nenhum, ou seja, pobreza intelectual exacerbada continuou dando prosseguimento. Sua beca são as suas roupas maltrapilhas e desbotadas e seu chinelo com um prego no solado. Seu canudo é a experiência de ser marginalizado pela alta-roda e o desejo que a sua cidade se torne cada vez mais agradável.
Aos poucos o blog foi se afastando do ideal que o fez nascer. Destarte, ele se imiscui e tornou objeto de estudo e observação à cultura, a política, a história e o cotidiano de nossa querida Serra de São Pedro!
Ao falar de política, ele fez algumas críticas à administração atual. Baseadas neste fato algumas pessoas o estigmatizaram de oposição, entretanto ele sempre teve o intento de exercer uma impossível neutralidade axiológica. Todavia objeto e observador estarão fadados a permanecem sempre unidos.
Mas quem quiser achar que ele é “pé-rachado”, que continue se enganando. É facultativo ao indivíduo permanecer na ignorância. Todavia, não é para isso que estamos aqui.
Estamos aqui para agradecer aos acessos, a cada pessoa que com tanta coisa na WEB veio parar justamente aqui.
Agradecer a todos que de maneira direta ou indiretamente colaboraram e continuam colaborando com o material exposto aqui!
Agradecer a rádio São Pedro FM pela divulgação e por torná-lo um dos blogs no site da mesma. Ao blog de Farias Brito e ao blog Sociologia em Caririaçu. Agradecer a todos que da sua maneira divulgaram o nosso blog!
Agradecer as dezenas de seguidores que de forma direta dão o seu respaldo sobre o que é exposto aqui!
Agradecer a cada acesso, mesmo que seja por engano.
Agradecer pelos comentários, eles são a melhor forma de engrandecimento deste ínfimo blog e uma verdadeira forma de manifestação da democracia, pois nem um deles recebe moderação ou censura, todos são publicados assim como os autores escreveram. Alguns comentários tentaram até difamar quem escreveu  (há quem duvide até que é Francisco quem as escreve. Isso é bom, pois a dúvida engendra novas descobertas) essas raquíticas linhas, isso mesmo, difamar. Coisa de pessoas que não têm argumento, nem o que dizer e querem aparecer. Então só resta à difamação.
Por fim, agradecer aos incentivos e entusiasmos de todos aqueles que estimularam nas pesquisas e para emissão de opinião. Opinião sim, pois a imprensa meramente informativa está com dias contados pelo simples motivo das pessoas cobrarem que as demais saiam de “cima do muro”.
Entretanto, as opiniões aqui publicadas não defendem nenhum politiqueiro local (o que muita gente já pensou), portanto não temos o intento de fazer lavagem cerebral em ninguém.  Este blog não defende ideologia alheia, muito menos de “marqueteiros políticos” que usam o povo como escudo. Porém como este ano tem eleição, você amigo leitor que gosta das nossas postagens, fique atento, pois poderemos tecer opiniões sobre a corrida pra ver quem terá a incumbência de gerir o acúmulo dos nossos impostos.
MUITO OBRIGADO a todos!!! E nesse ano que começa este infantil blog deseja continuar crescendo assim como a nossa cidade. Ele continuará tentando dar a sua ínfima contribuição para o engrandecimento, não só visual, da nossa amável SERRA DE SÃO PEDRO!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Cultura em Caririaçu...

Por João Batista

Começo a ver a cidade de Caririaçu de uma forma diferente!Sempre digo que não cobrei da minha terra tudo que ela podia me dar mas já oferecir tudo que podia oferecer pórem vendo que alguem como Maria Edilena Feitosa que me surpreendeu com uma iniciativa de leva a cidade algo de novo começo a pensar que pode ser diferente! sinto falta de cultura em Caririaçu falta de me contagiar eu quero voltar a ...sentir isso quero ser vaqueiro ferruado,quero as flores de Maria sozinha quero ver os filmes de Zé sozinho,quero amar a cultura como dona Zuli Morais amou! eu quero a benção de padre Vicente ,quero a lapinha de Donona e quero admirar o cabelo de Maria Gersina, quero Dona Floscoele,Quero ouvir Zé penzinho cantando Verônica eu me sinto tão só.......eu quero festival cultural,eu quero o desfile de 7 de setembro como era,eu quero que o marco do centenario volte a ser branco eu quero mais, mais e mais eu quero pão feito por seu Tico da padaria, eu quero ouvir a banda Pneu tocado na rua do pau,eu quero de volta tudo o que nos foi tirado.....e quero que chegue algo novo mas que não apague da memoria do meu povo tudo o que já foi vivido eu quero descer no beco de Macial sabendo que valeu a pena ter cido de Caririaçu.....Lá em cima da Serra de São Pedro tem uma cidade que boa pra chuchu .............!

domingo, 1 de janeiro de 2012

Serra Verde

Próximo ao Distrito de Miragem[1], na fronteira com a cidade de Crato encontra-se a Fazenda Serra Verde. Fundada em 1860, pelo frances Achiles Boris[2]. Ela era fronteiriça como os municípios de Farias Brito, Várzea Alegre, Granjeiro e Crato.
Visita a Antiga Fazenda Serra Verde
A fazenda foi adquirida pelo Cel. Belém do Crato. Ele caiu do poder de 3º vice-presidente do Ceará em 29 de junho de 1904, assumindo o seu posto Cel. Antonio Luiz Alves Pequeno. Boris que era credor de Belem durante o seu governo na cidade cratense, adquiriu a fazenda como forma de quitação de uma dívida de 50 contos de réis.
Cel. Botelho
Para gerir a imensa propriedade foi trazido da cidade de Guaraminga o Sr. Francisco Botelho Filho, mais tarde se tornaria o Cel.Botelho. Conta-se que ele era um sujeito mui extrovertido. Elegeu-se prefeito de São Pedro em 1920. O principal acontecimento do seu governo e um dos mais importantes da nossa cidade foi à inauguração da iluminação elétrica da cidade em 1927. A concessão foi outorgada a firma Borges & Filhos, de propriedade de Clemente Ferreira Borges[3]. Ela pagava 50 mil réis à prefeitura pela concessão. Como homenagem simplória a um dos grandes vultos da nossa cidade, o seu nome foi dado a uma das principais artérias da nossa comuna.
À época, a fazenda era a maior propriedade rural do Ceará. O seu principal produto era o algodão, porem produzia-se também milho, feijão, arroz, cana-de-açúcar e seus derivados como rapadura e aguardente.
No período áureo a propriedade chegou a produzir: Bovinos para o abate - 25.555 arrobas: Matrizes bovinas para a produção - 339 cabeças: Suínos para o abate - 71.800 quilos; Suínos para reprodução -105 cabeças; Arroz 4.400 sacos de 60 quilos; Foram reservadas 100 tarefas para o plantio de arroz, construção de galpões para tratores e máquinas, estábulos, pequeno centro médico, energia e telefone. Muitos desses produtos eram comercializados em outras cidades do Cariri.
Capelinha na Serra Verde
Foi idealizada e construída por Hubert Bloc Boris[4] uma capelinha sacra na propriedade. Esta capela ainda encontra-se de pé e em boas condições de conservação.



[1] Antigo Santos.
[2] Cônsul Frances, banqueiro e exportador.
[3] Pai do ilustre advogado e escritor são pedrense, Raimundo de Oliveira Borges.
[4] Neto de Achiles.