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Estamos aqui
numa cidade descontrolada fisicamente, mas controlada psicologicamente por
senhores feudais que pouco se importam com os seus camponeses, que são
encabrestados e recebem suas migalhas e acham que só isso basta. pensam que
esse é o seu valor e estão satisfeitos, pois sua única preocupação é saber que
seus antigos patrões perderam as terras numa guerra desleal para esse novo
coronel e isso já émotivo de extrema
felicidade, pois estão do lado campeão, outros camponeses que são fiéis ao seu
antigo senhor andam pelas ruas resmungando, cegos, torcendo para que o novo
fazendeiro não saiba tomar conta das terras e nem dos seus números mesmo sem
saber ou sabendo que os efeitos colaterais desses erros vão os atingir, pois
vivem na mesma fazenda. Mas a sede de chegar ao trono da casa grande é muito
maior, e isso tudo sabendo que o trono só vai ser ocupado apenas por um, e o
resto irá ficar espremido no curral que é o lugar de quem são encabrestados e
que receberam as migalhas prometidas, que continuarão com sede e com fome, mas
com o ego cheio, pois estarão do lado do fazendeiro campeão novamente e isso é
melhor que tudo.
E saindo do
contexto da época do feudalismo desta cidade que também é minha onde ser ignorante
é motivo de orgulho, ter um lado, um time pra torce uma bandeira para levantar
e nada mais.
Podemos comparar
com dois times rivais num campeonato de pontos corridos onde para seus
torcedores o que importa é ver seu time campeão e não importa se pra isso o
time roubou, comprou juízes (que nós somos). Nada disso importa, o que
interessa é soltar da garganta o grito de ser campeão soltar fogos e desdenhar
da derrota do time adversário. Um bando de imbecis que não se preocupam com
nada, nem com eles mesmos, pois num campeonato quem sai no lucro é apenas os
donos dos times e seus jogadores, torcedores coitados recebem apenas acenos
nada mais do que isso.
Somos todos
inteligentes, ninguém é melhor ou pior do que o outro. Não trate da política da
sua cidade como um simples jogo, nós somos os patrões e eles os empregados,
eles não fazem nada além da sua obrigação, vamos dar um basta nesse pão e
circo, porque não dá para viver com essas migalhas e esse circo faz tempo que
perdeu a graça.
Eu sei que essas
palavras são utópicas, e tenho consciência de que só quando as massas saírem do
sono da ignorância, essas palavras vão deixar de serem sonhos.
Evento acontece próximo dia 23, na
praça da basílica de Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte.Mais de 100 mil pessoas devem
participar do encontro.
A
segunda edição do Evangelizar é Preciso Cariri, que acontece próximo dia 23 de
agosto, no pátio da basílica de Nossa Senhora das Dores, na praça do romeiro,
em Juazeiro do Norte, terá a participação do padre Reginaldo Manzotti, de
Curitiba, Paraná.
O
evento católico, considerado o maior do cariri, este ano tem como tema “Eu vim
para que todos tenham vida em plenitude”.
A iniciativa é da Fundação Educativa Salesiana Padre Cícero e da
comunidade católica “Quem Como Deus”. Mais de 100 mil pessoas são esperadas
para o encontro.
Uma
grande estrutura está sendo preparada na praça da basílica, em parceria com a
prefeitura municipal de Juazeiro, para receber os fiéis. As ruas São Pedro e
Padre Cícero serão interditadas para ceder espaço ao público, além da Praça
Marco Zero que contará com dois telões para o acompanhamento do evento.
Também
haverá uma área para os portadores de necessidades especiais, próximo ao palco,
uma equipe de apoio e suporte para o que estarão neste espaço, além de
intérpretes em libras.
Cerca
de 900 voluntários estão sendo formados e orientados, em 30 comissões de
trabalho, para atuarem durante o evento.
No
encontro será lançado ainda o projeto “Mãos Que Refazem”. O objetivo é
transformar a “Pedra do Vento”, no Horto, uma área marcada pelas drogas e
prostituição, em um centro de cursos para dependentes químicos.
Uma
feira vocacional, com exposição de trabalhos realizados por pastorais,
movimentos e comunidade, também fará parte das atrações. A intenção é que os
fiéis conheçam esses serviços e se engajem na igreja, participando dos
trabalhos missionários.
Na
sexta-feira, que antecede o evento, o padre Reginaldo Manzotti estará no Crato
participando do encerramento da carreata com a imagem de Nossa Senhora Penha,
ao lado do bispo diocesano, Dom Fernando Panico.
A
entrada para o evento, na praça da basílica, no dia 23, é um quilo de alimento.
As doações serão revertidas para as instituições assistidas pelo projeto “Mesa
Brasil”, do SESC.
No
entanto, os interessados em colaborar também podem adquirir um kit com camiseta
e lenço mais um bilhete da rifa de uma moto zero quilômetro, além de duas tevês
de 42 polegadas nos postos credenciados: Colégio Salesianos e Cariri Garden
Shopping. As informações podem ser acessadas em www.quemcomodeus.com.
Assessoria de Imprensa
Evangelizar
é Preciso Cariri
Contato: (88) 97510038
PS: Esta postagem foi um pedido de uma amiga, Patrícia Mirelly, para divulgar este grande evento do catolicismo na nossa região. Como em Caririaçu tem muitos admiradores do Padre Manzotti e muitos deles já planejam irem para esse evento, nada mais justo do que fazer esse favor à amiga.
É! Pouco a pouco vão tirando as
bandeiras dos carros, dos mastros. Vão se guardando as camisas, e apagando as
pinturas. Existem aqueles mais fervorosos, que foram mostrados nos noticiários
quebrando aparelhos de TV's. Presenciei alguns rasgando, e puxando a camisa que
levava o verde e o amarelo. Isso porque aquilo que era motivo, talvez o único,
de orgulho, depois de ontem não passou de uma vergonha. E agora do que vão se
orgulhar o povo brasileiro?! Sim, como, acredito que todos os brasileiros, me
entristeci com a derrota. Mais minha tristeza era pequena, logo passou. Maior é
a tristeza quando vejo o tanto de vezes em que o Brasil já perdeu. Vejam o
nosso falido Sistema Único de Saúde, vejam o nosso analfabetismo funcional,
percebam nossa economia sendo levada nas costa de um programa de distribuição
de renda direta. Mas, a humilhação não para por aí, vivemos na insegurança,
temos que lidar com as indiferenças, já que as diferenças muitas vezes não são
aceitas. Outra vergonha é o nosso patriotismo, porque que só vestimos as cores
da bandeira nos períodos de Copa do Mundo, será que não vale a pena trajar-se
com o verde e o amarelo para lutar por uma vida mais justa, por uma sociedade
igualitária, por um melhor lugar para viver?!
Parece que não. O futebol parece
ser o bastante, esse de vez em quando tem um investimento, mas parece que é só
este. Pois somos, depois dessa derrota acho que é melhor empregar o éramos, o
país do futebol, isso mesmo esqueçam dos outros esportes, esqueçam dos
triatletas, dos corredores, dos nadadores, dos alpinistas, estes se trazem
dinheiro e repercussão, quando trazem, são poucas.
Mas, quem sabe essa derrota
sirva-se de lição. Sirva para mostrar que não temos um Brasil tão belo quanto
ao que foi mostrado nos últimos 28 dias de Copa. Que mostre que falta se
investir nos demais setores da sociedade. É sempre assim, arruma a casa pois
tem visita! Coloque-se a sujeira em baixo do tapete, ou em outro lugar que seja
bem escondido, para que ninguém possa ver.
David Luiz disse, chorando (eu acreditei
no choro dele): “Eu só queria levar alegria pro povo, pra minha gente que sofre
tanto […] eu só queria ver meu povo sorrindo […] vê o brasileiro sorrindo pelo
menos por cauda do futebol...” Mas é isso, ele está certo, mesmo para aqueles
brasileiros que nem de longe saberia explicar o que é um estádio de futebol,
mesmo para aqueles que não tem condição de assistir ao jogo em uma Fan Fest,
mesmo aqueles que não poderia ver em uma TV com alta qualidade de imagem e som,
sorririam ao saber que o Brasil venceu o jogo.
Mas não foi assim, e aquele
momento de alegria, de anestesia acabou, e todos são obrigados a lembrar o
pesadelo (realidade) que se tem. Do salário comprometido em suaves prestações,
do recesso escolar que já está acabando, da corrupção (ativa e tanto) que
assola e dá de lapada, muito maior que a 'pêia' do jogo Brasil vs Alemanha.
Não, creio, vai se esperar muito!
Daqui a pouco aparecerão os mais diversos casos, que tão corriqueiramente
aparecia nos noticiários brasileiros. Os desvios, as brigas, os casos de
racismo, a até mesmo daquela senhora que morreu por falta de atendimento
médico. Vão ter também as notícias dos heróis: dos bombeiros que salvam
milhares de vidas, do honesto que devolveu algum dinheiro perdido, dos
professores, que fazem das vísceras (tripas) coração, que ensinam sob condições
precárias.
Tudo isso por que a Copa vai
acabar. E vai mostrar, que, evidentemente, foi a Copa do Brasil. Mas, de forma
alguma foi a Copa dos brasileiros.
O sistema de
governo brasileiro é considerado representativo, os eleitores votam no
candidato que melhor representa seus anseios e questionamentos, a sua
ideologia. Mas será que isso realmente funciona? Será que os candidatos eleitos
representam a população que lhe confiou o voto? Até certo ponto, representam
sim. Basta notar os evangélicos, os ruralistas, os homossexuais, os
ambientalistas, sendo “representados” nas discussões políticas. Esses segmentos
da sociedade são representados sim.
Entretanto tem
um segmento que fica de fora. E qual seria? Nós, os pobres, os que vivem
pendurados no crediário e que, se o salário atrasar no fim do mês, não sabe
como vai alimentar sua família. Os representantes do povo, não representam os
pobres, constatação mais do que óbvia.
Eu já escrevi
noutra oportunidade, que um pobre não consegue nem se eleger vereador na Serra
de São Pedro e, se candidatar-se, será motivo para pilhéria de seus
semelhantes. Pobre que se candidata até parece o Judas e deve ser estripado por
causa da sua vontade de representar a sua classe. Lavagem cerebral e ideológica
da mulesta, ainda há quem afirme que não existe o abuso do poder econômico. Só
quem tem legitimidade para ser candidato é quem pode aliciar votos
economicamente. Eis uma verdade inconveniente. Se pobre não é eleito,
logicamente que também não é representado. Se fosse representado, seria uma
contradição. Eis aí um dos filhos do enlace matrimonial entre democracia
representativa e capitalismo.
Segundo Antônio
Augusto de Queiroz, analista político do Departamento Intersindical de
Assessoria Parlamentar (Diap), é estimado que os gastos de campanha para se
eleger um deputado estadual, são R$ 500 mil, e um federal R$ 1 milhão. Esse
dinheiro poderia ser do próprio candidato ou de doações de simpatizantes. Um
pobre nunca terá esse dinheirão todo e as doações que ele recebe são somente o
assistencialismo do governo e a promessa de uma vaguinha no Reino de Deus, isso
se for um bom menino nesta terra de gigantes. Eu num sei não, mas tenho quase
certeza que os males da caixa de Pandora vieram somente para os pobres.
Partindo desse
pressuposto, da constatação que nossa cidade é uma urbe paupérrima e da
observação que toda eleição para deputado, eles se dirigem até aqui somente
para conquistar o nosso voto e desaparecer no oco do mundo, por que não votamos
num candidato caririaçuense para defender nossa cidade nas assembleias
estaduais e federais? Lógico que ele não estaria lá para defender
exclusivamente a Serra de São Pedro, bastava que as suas emendas parlamentares
fossem destinadas ao progresso da nossa cidade e do nosso povo. Já pensou na
alocação de recursos que isso traria? Certamente isso seria um grande auspicio
para essa ralé que nunca experimentou plenamente o progresso.
Enquanto a isso,
a falta de progresso, basta notar a famigerada inauguração de um orelhão e a
querela entre a situação e um agente da oposição, que na época, começo de 2012,
reivindicavam a autoria do projeto que trouxe a grande obra de um telefone
público. Pense numa lapa de
progresso.
Todos os anos
que se tem eleições estaduais e federais, aparece em Caririaçu, pessoalmente ou
através de seus cabos eleitorais, postulantes a salvadores do sertão esquecido.
Eles podem até ter boa intenção e almejarem o bem comum, mas depois da votação
e de alguns votos conquistados, os caba
somem no oco no do mundo e só retornam quando um novo pleito se aproxima. Eles vêm
com a cara de cachorro que lambe panela, como diria minha saudosa vovó,
mendigar novamente os nossos votos.
Ao que se
observa, nossa cidade parece uma colônia de votos. Assim como as Índias
serviram especiarias à Europa, a África serviu mão de obra escrava para o Novo
e o Velho Mundo, o Brasil serviu minérios, cana-de-açúcar, borracha, café, entre
outros produtos, para as potências europeias, Caririaçu só serve para servir os
seus votinhos para esses defensores de outras causas que não são aquelas necessárias
ao nosso progresso.
O último censo realizado
nas terras de Ibirapitanga (nome que os índios chamavam o pau-brasil, planta
que batizou o país), em 2010 e no qual, este escrevinhador teve a experiência
de trabalhar como coletor de dados, apontou que a população da Serra de São
Pedro correspondia a 14031 urbano e 12362 rural, totalizando 26393 habitantes. Desse
total, 20290 eram pessoas que estavam aptas a transferirem para outrem a sua
pequena parcela de poder. De lá pra cá, certamente a população aumentou e seu
número de eleitores também, e conseguir uma fatia desses votos é de grande valia
para qualquer postulante.
O problema é que
a nossa cultura está viciada em valorizar e a atribuir crédito somente ao que
vem de fora, não a cultura de Caririaçu, mas a nacional. Como diz uma canção
dos Titãs (A melhor banda de todos os tempos da última semana), “um idiota em
inglês/ se é idiota é bem menos que nós/ um idiota em inglês/ é bem melhor do
que eu e vocês”. Desta maneira é muito mais fácil apoiar um forasteiro do que
um nativo.
O povo são pedrense sempre votou em deputados
de fora. Estimado leitor, desculpe a minha ignorância, mas tem alguma coisa boa
e palpável que você, sua família e seus amigos usufruem que subiu à Serra
puxados por eles? Uniforme de futebol não devem entrar nessa lista, embora o
incentivo ao esporte mereça aplausos. Lógico que há algumas obras louváveis,
mas se comparando com as que poderiam ser com deputa nosso lá, são incomparáveis.
Agora entra na baia os tecnocratas, burocratas e
entendidos da política. Certamente eles dirão que essa moção é uma divagação e
não é possível eleger um deputado somente com os votos de Caririaçu, pois o
quociente eleitoral, político, a legenda, as alianças e o programa do partido,
a cotação do dólar, o preço inflacionado do voto, a plataforma da campanha, a
mensagem subliminar, o luxo das igrejas, o beijo gay da novela, o gol anulado,
a luz amarelada do poste e o “carái de asa”, seriam um grande empecilho. Os
argumentos variariam dos mais lógicos aos mais estapafúrdios. Mas isto poderia
ser resolvido com um partido pequeno e de pouca representatividade. O pior
problema não é este, o que quebra a bola mesmo, é encontrar um cidadão que
conquiste os dois grupos políticos reinantes, que no fundo são tão iguais e só
acreditam em heróis e antagonistas diferentes e mudam de lado conforme o benefício que lhe é atribuído. Quem pode ser o semideus que seduziria esses e aqueles
que não se sentem contemplados pelas suas ideologias?
Que se fale, se
discuta, que venham os “eu acho isso, eu acho aquilo”. Para quem tentar refutar
tal proposição, apresente uma melhor que possa libertar nosso chão desse
marasmo e que caminha com passos de uma tartaruga com fome e com preguiça no
rumo do progresso.
Se nós fizermos
o que foi exposto, podemos até não conseguir o objetivo, entretanto, é possível
que viremos objeto de estudo de algum de sociólogo, cientista político,
antropólogo, cientista social, historiador, ou outros cabocos metidos a sabido que tentarão, à luz da sua ciência,
entender esse fenômeno.
Isso pode até
ser doidice. Se for, endoide também e diga como se faz para trazer o progresso
para essa terra banhada pelo sol, mas que é desprovida de luz. Todo mundo tem a
solução na ponta da língua, diga a sua. Desça da liteira da lucidez que é
carregada no lombo do medo de errar e ser refutado.
Se o progresso
deverá chegar através da iniciativa privada, por que ela nunca se interessou
pelo nosso Caririaçu?
PS: Os próceres políticos de nossa comuna, que por
ventura me derem a honra de serem meus leitores, e que certamente apoiarão e
pedirão votos para candidatos de alhures, por favor, não vejam essa moção com
as lentes míopes da politicalha e nem levem para o lado pessoal. Isto é apenas
“um sonhador maginano”. Se o que as suas excelências almejam é ver essa cidade
prosperar, não tem como nós sermos antagonistas.
PS2: Os soldados ideológicos, aduladores e interesseiros, por favor, não saquem
a arma no salão, eu sou apenas o escrevinhador[1], aquele que relatou
toscamente uma verdade inconveniente.
[1]
Paráfrase de trecho da canção “Apenas Um Rapaz Latino Americano” de Belchior.
Não queremos
aqui dissertar sobre os traços biográficos dessa grande personalidade
caririaçuense e que, para nossa felicidade, ainda habita entre nós. Não vamos
falar quando nasceu, de quem é prole e qual a profissão que exerceu para suprir
as suas necessidades materiais. Falaremos resumidamente de Ana Soares Cardoso,
para os mais velhos e mais entendidos, ela é Donana.
Ela uma é
senhora simples e de hábitos singelos, todavia é possuidora de uma inteligência
esplêndida e uma memória que nenhum superlativo lhe faz justiça.
A título de
informação para os mais moços, Donana é simplesmente a letrista do Hino de
Caririaçu. Canção que o leitor, se já estiver pelo menos beirando a
adolescência, já deve ter cantado muitas vezes e o entoará pelo resto dos seus
dias, numa demonstração de amor e empatia pela Serra de São Pedro.
Se os jovens de
hoje bradam a belíssima música Jardim
Molhado do Sertão, do amigo João Kyor, com os belos versos: Sou do Ceará, do interior/Das terras de lá/Caririaçu
é o meu lugar; os nossos avós, pais e até irmãos mais velhos aprenderam a
declamar os versos de Donana: Caririaçu,
terra altaneira/Vimos cultuar a tua bandeira...
A letra do hino
de Caririaçu foi composta em 1967, ano em que nossa cidade era governada por
Raimundo Bezerra Lima (Mundeza) e quando teve início a festa do município no
mês de agosto daquele. Donana, na época, era funcionária da prefeitura e como
Caririaçu não possuía um hino, ela teve a ideia de fazer a letra. A inspiração,
ao contrário do hino de muitos países e cidades, não foi à história do lugar e
seus pequenos e grandes feitos, a inspiração de Donana, como ela mesma nos
afirmou, foi à natureza que circunda e permeia nosso torrão.
A melodia foi
feita pelo maestro João Boaventura e o hino foi cantado pela primeira vez no
dia de São Pedro de 1968, pelo Coral Santa Cecília, coral liderado pela própria
Donana, no Círculo Operário São José (hoje a sede do Grupo de Escoteiros Nossa
Senhora do Carmo).
Além do hino da
nossa cidade, Donana também compôs o Hino da Paróquia de São Pedro que nunca
foi gravado, cujo refrão diz:
Eia povo, povo são-pedrense, avante, avante a bradar
Essa pessoa que
anda pelas nossas ruas com passos lentos e vagarosos, às vezes carregando algum
objeto nas mãos e sempre ignorada pela maioria da população caririaçuense,
merece todo o nosso respeito e admiração.
Todavia, Donana
é já uma idosa e, o idoso é desprezado pela lógica irracional humana de só dar
valor aquilo que lhe conferir prestigio, o idoso só tem o conhecimento da vida
passada, sobrevive ao presente e não projeta mais o futuro, apenas o profetiza.
Nos dias em que
vivemos, a sapiência do empirismo e da observação, não têm valor algum. O valor
das coisas contemporâneas está em consumir aquilo que é imposto pela indústria
cultural. Se não consumirmos, nos sentimos à margem dessa sociedade consumista
e individualista, e assim caímos na crença que somos fracassados.
Destarte, por
isso, é fácil desprezarmos pessoas como Donana e, cada vez mais fazermos vênia
ao lixo cultural da televisão.
Que Donana
sobreviva ainda muitos anos. As pessoas que poderem e tiverem oportunidade de
conversar com ela, não perca a chance, garanto que irá aprender mais do que em um ano letivo da escola. Na escola se senta, se cala, faz prova, passa de ano,
para no final ganhar um pedaço de papel. Donana, inconscientemente, pelo menos
foi a impressão que eu tive ao conversar com ela, ensina a conhecer e admirar a
vida, o universo e tudo mais. Sem falar no imensurável conhecimento que ela tem
da nossa cidade.
Donana é parte
importante do patrimônio desse chão e sugere-se que se crie um busto e a faça-se
uma justa homenagem a ela em vida. O busto poderia ser aos moldes do de Padre
Augusto que se encontra na Praça que leva o seu nome. Também poderia fazer
semelhante honraria a outras personalidades de Caririaçu, como, por exemplo, os
escritores Raimundo de Oliveira Borges, Ivan Magalhães (que escolheu a Princesa
da Colina, como ele descreveu Caririaçu, para viver), Célio Mendonça (que só
por ser professor já merece toda nossa reverência), Padre Vicente, a educadora
Maria Floscoeli, o multifário João Kyor (que com sua decisão de se dedicar
somente à música, certamente levará o nome de nossa cidade a lugares longínquos
e inimagináveis), o inesquecível cineasta Zé Sozinho (com o qual me orgulho de
ter conversado em algumas oportunidades, quando labutava numa videolocadora) e
mais alguns outros que buscaram o
progresso e levaram o nome de nossa cidade por onde colocaram os pés.
Esta cortesia
não seria atribuída a nenhum político. Se não apareciam aos borbotões
reclamações dos passados, presentes e vindouros que se sentiriam no direito de
serem agraciados. Sem falar que político é eleito para fazer coisas boas e não há
grandes méritos em realizá-las, quando as faz, é apenas o dever cumprido.
Que Deus dê
ainda muitos dias a Donana, que se aproveite o que ela pode ensinar a essa
juventude bovarista e pavoneada.
Viva Donana. Viva
o nosso o povo, a nossa gente.
Nós não
precisamos importar heróis, em Caririaçu houve e há vida inteligente, gente
boa, gente que honra a gente, gente que se garante.
PS:Este pequeno
esboço só foi possível, graças ao incentivo constante do amigo Marcelo Antônio
(Marcelo Sam) que desejava fazer essa pequena homenagem a Donana. Ao parceiro
Marcelo, que recentemente sofreu uma grande perda e está passando por um
momento triste da sua vida, esse texto é dedicado a você.
PS2: As imagens que ilustram esse texto foram
tiradas por Izaquiel Vieira da Silva em janeiro de 2012.
[1] Se
alguém se interessar em conhecer esse hino, entre em contato pelo e-mail: fcopsousa@hotmail.com ou pelo
facebook.com/fcopsousa que eu enviarei o canto entoado pela própria Donana.
O dia 5 de
abril de 2014 foi um dia que certamente entrará para a história recente da
Serra de São Pedro. Este foi o dia do lançamento do primeiro livro de Célio
Mendonça, o Maré, como eu, e muitos outros, nos habituamos chamar esse homem
grande no físico e na sapiência e que seu único defeito, aparentemente, é
torcer pelo Vice, digo, Vasco da Gama, freguês de caderneta do time do povo...
Clube de Regatas Flamengo.
Não vou falar
aqui a respeito do livro em si, do seu conteúdo. Para fazer uma resenha no
mínimo razoável da obra, os meus parcos conhecimentos e minha inexperiência de
vida são insuficientes para escrever sobre a obra de Maré. Falarei aqui somente
sobre o lançamento de Apresso Lembranças.
Eu estive
presente no lançamento do livro, não somente como repórter fotográfico e
redator de matéria jornalista, nem tampouco porque fui convidado pessoalmente
pelo autor, embora tenha sido uma honra mui grande. Eu fui porque acima disso,
me considero um profundo admirador da palavra escrita e não podia perder esse
grande momento da literatura do nosso torrão. A palavra escrita e sua posterior
leitura deleitada por outros olhos, é a liga da baladeira que estica e
impulsiona a pedra da imaginação pelos ares e possibilita enxergar o mundo de
uma visão privilegiada. Quando um caririaçuense do miolo nos traz a palavra
escrita, é a prova de que nossa cidade possui vida inteligente e um futuro
promissor. Vida inteligente, eis o que sois Maré.
Maré foi
aplaudido de pé pelos seus pares, afinal foi assim que ele se referiu a plateia
que o prestigiou: “me sinto representado pelas pessoas aqui presentes” e,
diante da ovação, ele se enrubesceu e atrevidas lágrimas brotaram dos seus olhos querendo participar do lindo
momento, mostrando que um homem de bom coração se emociona com coisas singelas.
Até eu, que no
momento usava o hábito de profissional da informação, o qual não é permitido
demonstrar emoção, me vi com os olhos marejados e para disfarçar fiquei numa
janela e enquanto olhava o horizonte, discretamente enxuguei as lágrimas que
irromperam do meu ser imaturo e que não sabe lidar com a beleza. Não sei qual a
explicação que isso deve ter, mas me arrisco a dizer que foi a de ver um pobre
que nasceu sem eira nem beira (me desculpe a expressão Maré) ter um de seus
sonhos realizados.
Não sou escritor
e nunca lancei um livro, mas sei que não é fácil realizar tal fato. A coisa se
complica ainda mais, quando se pertence a um lugar onde a maioria das pessoas
só escreve bem o próprio nome, por isso, Maré deve ser reverenciado e foi
merecidamente aplaudido de pé na cerimônia de lançamento do seu Apresso
Lembranças.
Também não
poderia deixar de felicitar Wagner Medeiros, que com a lente de sua câmera,
capta imagens inefáveis como aquela que ilustra a capa de Apresso Lembranças.
PS: Quero agradecer a gentileza do prefeito João
Marcos, que esteve presente no lançamento e humildemente, como deve ser um
grande governante, comprou e me ofereceu um exemplar de Apresso Lembranças, pena que eu já havia comprado. Mesmo assim,
muito obrigado prefeito.
O nosso nordeste
brasileiro é muito conhecido por suas tradições. Estas em geral retratam a
cultura da nossa população, e isto não é muito diferente na nossa Serra de São
Pedro, situada no sul cearense e participante da Região Metropolitana do Cariri
(RMC). Caririaçu é uma cidade interiorana, e de pequena população, 26.393 de
acordo com o censo do IBGE de 2010. Gente que vive sua cultura e que revive a
cada instante um pouco do seu passado, embora isso acabe se perdendo ao chegar
das novas gerações, fator este auxiliado com a chegada da globalização.
Uma das maiores
tradições do Nordeste são as quadrilhas juninas. Assim como existem outras
culturas que também são só nossas como por exemplo o maneiro-pau, a festa dos
caretas, as renovações, as bandas cabaçais, o reisado, algumas brincadeiras
infantis, entre outras. Culturas que são vividas aqui no interior nordestino, e
agora também na RMC. E que Caririaçu também vive e revive.
Uma destas tradições é
o culto à Maria, em especial aqueles que são realizados no mês de maio. Esta é
uma celebração tipicamente católica, fruto da nossa formação histórica e
importação do catolicismo.
O mês de maio é
conhecido por suas datas comemorativas, em especial o dia das mães, que é
comemorado no segundo domingo do mês. Em alusão ao dia das mães, neste mês
também se comemora, o dia de nossa senhora, mãe de um daqueles que mais se
conhece em toda história humana: Jesus Cristo.
A única diferença é que
a comemoração se dá no mês inteiro, onde uma série de celebrações são feitas.
Por isso dizemos que o mês de maio é o mês de Maria, pois é a ela que se dedica
este mês inteiro. Mas o seu dia especial é 13, como bem diz o trecho do bendito:
“A 13 de maio na cova
da guia
No céu aparece
A virgem Maria
Ave, ave, ave Maria...”
Durante os 31 (trinta e
um) dias do mês de maio reza-se um terço que é oferecido à nossa senhora. Todos
os dias são colocados flores no altar, como oferenda à santa, e as que são
retiradas são guardadas para serem usadas no ultimo dia de celebração. Além das
flores, o altar é iluminado por velas que são também vistas como oferendas
neste ritual.
No ultimo dia de
festejos, é realizado uma grande festa. Onde toda a comunidade se reúne para
rezar em frente ao altar e participar dos demais ciclos. Depois do terço, todos
se reúnem em volta de uma fogueira, e cantando alegremente dão voltas sobre
esta. Ao mesmo tempo em que são queimadas todas as flores que foram antes
recolhidas.
Às voltas na fogueira,
e ao sentir a fumaça, cantando e rezando aqueles que participam do festejo
pedem e agradecem a nossa senhora.
Depois de deste ciclo,
todos voltam cantando de frente ao altar para aclamar e exaltar a Nossa Senhora
e aos demais santos e santas que vivem e reinam no céu, e, até mesmo, na terra.
Agradecem a Deus por tudo, e também pedem saúde, paz, harmonia e felicidades.
Em seguida todos se reúnem para compartilhar um momento de encerramento, onde
geralmente se é oferecido um café, um chá acompanhado de biscoitos e bolos
feitos artesanalmente, que também representam manifestações populares da nossa
cultura.
Citamos como uma das
pessoas que dão continuidade a esta tradição Dona Maria Joana, que mora desde
1947 na comunidade Bois, localizada na Zona Rural de Caririaçu. Casou-se com 16
anos. Onde estabeleceu sua família, e esta sempre vive nesta comunidade.
Ela conta que reza o
terço em oferecimento a Maria há aproximadamente quatro décadas. Ela retratou
que outras famílias também o faziam, um exemplo eram as Bentas e também D.
Jesus que também moravam na comunidade.
Dona Maria é ‘rezadeira’,
é ela quem é a responsável por tirar as renovações (entenda o que é renovação) na casa da maioria das
famílias da comunidade Bois e até mesmo nas comunidades vizinhas como Francisco,
Faustina, Cachoeirinha, Patos, Constantino, Borís[1].
Ela é considerada um ícone nestas comunidades, devido aos trabalhos que
desenvolvera durante muito tempo na comunidade, como exemplificações destas
atividades têm-se: ‘rezadeira’ (como citamos anteriormente), agente de saúde e
parteira.
Ela conta que traz isso
da raiz da sua cultura familiar, e teme que essa tradição não seja seguida
pelos seus descendentes.
Enfim, é muito bom ver
como essas culturas são vividas, e retratadas na simplicidade do nosso povo. E
ver que apesar das tecnologias, e deste mundo altamente acelerado, ainda
vive-se tempos de reunião, pois além de cultuar o divino esta crença popular
une todo um grupo de pessoas, dando o verdadeiro sentido do que se é comunidade.
[1]
Sítio Borís: homenagem à família francesa Borís que era proprietária da Fazenda Serra Verde no município de Caririaçu.