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segunda-feira, 11 de março de 2013

O Papa, a governabilidade e o "seboso"




O grande poeta Jessier Quirino, matuto por vocação, disse num dos seus momentos de sapiência, “as pessoas não morrem, elas murcham”, aliás, sapiência é o que não falta a ele. Parece que tal axioma se aplica literalmente ao Papa Bento XVI, fisicamente o coitado “tá só as tira”.
A debilidade física parece consumir o pobre o homem. Partindo disso, ele surpreendeu o mundo ao afirmar a sua renúncia. Segundo ele, a sua saúde não o deixou seguir no seu exercício de guiar a toda poderosa Igreja Católica Apostólica Romana.
Porém, concomitante a isso surgem outras versões para a renúncia. E segundo algumas delas o santo padre não resistiu ao cargo devido a escândalos financeiros e sexuais praticados por entes da instituição. A tensão era tão grande que o Papa “pediu penico”.
Além da saúde do papa e dos escândalos que maculam a imagem da igreja, há ainda algumas teorias da conspiração que tentam ganhar espaços.
Quem está com a verdade? Eu não sei. Sei que esse fato evidencia uma peculiaridade que anda quase extinta na natureza humana: a hombridade desse velhinho. O ex-soldado de Hitler que chegou ao trono de São Pedro e teve a humildade dos grandes líderes, refutando o poder que lhe fora incumbido. Coisa rara de se vê.
Todavia, alguns intelectuais dizem que faltou a Joseph Ratinzger governabilidade para que ele pudesse seguir no cargo.
Governabilidade, com essa palavra saímos do glamourizado mundo do Vaticano e chegamos ao feudo coronelizado de Caririaçu.
Aqui, o grupo político que acabou de chegar ao poder fez uma conchavo com quem até pouco tempo atrás era adversário ferrenho, sendo rotulado por “seboso”.
Mas o que tem de errado com os políticos fazerem um acordo. Nada de errado, como disse o ex-governador, Gonzaga Mota, a política é dinâmica.
O que chama atenção é baixo nível de discussão dos problemas e o conluio realizado com o único intuito: manutenção do poder. Mas quem quer se manter no poder, será que também quer fazer o bem ao eleitor? Ou o valor do eleitor já foi devidamente indenizado na época da campanha?
Governabilidade, oh palavrinha chata da miligota, tal qual o politicamente correto. Em nome dessa tal de governabilidade é que inimigos mortais fazem as pazes (quando eles se associam um dos dois está blefando ou lucrando muito), ou fingem que fazem. Assim foram adversários, o dito seboso e os imaculados até o final do ano passado. Mas para conseguir a governabilidade, os puros se sujaram, ou foi o sujo que se limpou? Quem foi que mudou de ideologia nesse jogo de me engana que eu gosto? Mas será que eles têm uma ideologia de ideais, não pude evitar o pleonasmo, ou a ideologia deles é o bem material? Quanto maior a bolada e o clientelismo, melhor!
Uma das maiores aberrações que eu escutei foi que o “seboso” foi catequizado pelos imaculados para que estes tivessem maioria na câmara e o prefeito não ficasse refém do legislativo. O que Locke e Montesquieu diriam disso? Um poder se tornar presa de outro? Quando Locke teve a ideia e Montesquieu ampliou a teoria dos três poderes, foi para que cada um fosse autônomo e independente um do outro e jamais houvesse supremacia, seria o equilíbrio do poder pelo poder.
Se for para que o legislativo sirva o executivo, não tem motivos para que ele continue existindo, afinal qual a função dele?
A turma do poder, logo se prontificará e dirá que não existe submissão alguma do nosso parlamento. Será mesmo? Lógico que existe, e não é por querer deles não, é por pressão psicológica mesmo. Ou alguém vai peitar o patrão, se julgar necessário, para enfrentar o seu furioso e dogmatizado séquito?
O seboso, como era chamado pelos opositores, parece que não sabe ser oposição, é só olhar o histórico dele para constatar isso.
No jogo de interesses, na barganha, no escambo, o dito seboso não passou de um lado para outro, somente por lhe faltar criticidade para ser opositor. Antes o bem individual do que o coletivo. Ele mudou mesmo foi por causa da sua concupiscência, afinal ganhou a presidência da câmara dos comuns, um veículo para seu uso pessoal e uma meia dúzia de emprego para serem transferidos para seus vassalos. Empregos estes que deveriam ser para concursados. Por falar em concurso, quiçá possamos publicar uma postagem futura falando dele.
Como disse Maquiavel, em política os fins justificam os meios. Sendo o objetivo final a manutenção do poder, não faz mal nenhum (a eles), o seboso e o higiênico se mancomunarem.
E a lição do velhinho que não continuou no cargo por reconhecer que não seria ele a solução para os problemas? Certamente algum “seboso” da igreja tentou se aliar a Ratzinger, mas a sua idoneidade e o seu desapego ao poder bradaram mais alto.
Veremos se o nosso novo papa com seu séquito resolverá alguma coisa!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Banheiro público, biblioteca idem!


Do lado esquerdo da Igreja de São Pedro no centro de Caririaçu, havia um círculo que servia apenas para ornamentar a praça que envolve a igreja. Há alguns anos a prefeitura resolveu fazer ali um banheiro.
Na época serviu o banheiro para pilhéria de algumas pessoas, mas ele não foi de todo mal.
À frente dos sanitários masculino e feminino, foi edificado um cômodo contíguo.  Lá já se colocaram alguns artigos à venda, principalmente artesanatos locais, mas não se sabe o motivo, talvez o volume de vendas tenha sido pouco, a lojinha não floresceu e de algum tempo pra cá este aposento se encontra fechado, praticamente sem nenhuma função.
Pois bem secretaria de cultura, a sugestão é transformar aquele espaço ocioso numa pequena biblioteca.
Quem gosta de ler sabe que nem sempre se encontra o que se procura. Porque não a prefeitura tentar amenizar essa procura? Sabemos que livros são caros e são mais caros ainda pra nós que sobrevivemos com um mísero salário mínimo, mas para a administração pública, que pega em milhões, não deve ser tão caro assim.
Quem adquire livros com frequência desembolsa uma boa quantia, obras literárias chegam a ser quase um artigo de luxo devido ao seu preço. A Presidência da República, percebendo isso, está criando o vale-cultura, uma ação louvável do Estado brasileiro.
Crie-se uma biblioteca lá, porque além da tentativa de oferecer conhecimento a população, serve também para a propaganda da instituição. Pense quando aqui chegarem turistas, qual visão eles terão da cidade quando se deparem com uma biblioteca, ao invés de uma boca de fumo.
Mas pode-se perfeitamente dizer que já temos uma biblioteca pública. Certo, mas desde quando livros e conhecimento são muitos? Quanto mais, não seria melhor?
Coloquem-se mesas e cadeiras no entorno e, interessantíssimo seria, dotar o espaço com internet wi-fi.
Já que não temos cinemas, seria profícua a exibição de filmes que também é um belo instrumento para se conseguir conhecimento e, assim, desgastar a nuvem de ignorância que habita em nossas cabeças.
Com isso os políticos não estariam criando cobras para lhes picar depois. Estariam criando sim, cidadãos que poderiam melhorar a nossa cidade no futuro. Afinal, um povo educado trabalha melhor, consome melhor, vota melhor e não dá tanta importância à vida alheia.
Todo político bem ou mal intencionado deseja realizar obras para a posteridade e que bela obra não seria essa? Fazer uma biblioteca no centro da cidade exposta aos olhos de todo mundo. Será que existiria feito mais edificante que uma prefeitura pudesse fazer além de tentar instruir os seus munícipes?
Faça-se alguma coisa antes que aquele ambiente seja usado para o comércio e para o uso de drogas. Essa é uma medida simples e não custa quase nada.
Criou-se uma secretaria de segurança para tentar inibir a criminalidade que por hora reina em nossa cidade. Mas é sabido que violência não se combate apenas com repressão, se combate principalmente com ações inibidoras e educativas dos poderes públicos. O que foi exposto acima é uma bela ação ou deixemos que o aquele ambiente se torne uma cracolandia, cacoinalandia ou oxilandia?
Os reacionários inventarão mil e uma objeções. Todavia, a melhor forma de refutar uma coisa, é propondo outra melhor.

PS: Para quem mangou da inauguração de um orelhão, fazer uma biblioteca pública também é uma forma de satirizar aquele vil ato de tentar iludir o povo.

PS2: O amigo Antonio Messias aconselhou que essa ideia seria melhor aproveitada, se fosse enviada em forma de projeto para a secretaria de cultura. Mas o poder está tão perto, que julgo desnecessário apelar para a burocracia.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Agora é vez do povo!?!



Bem, o mundo não acabou, o tempo e o espaço continuam, continuamos sobrevivendo no caos da civilização e chegamos a 2013. E o ano de 2013 traz com ele uma nova administração para a nossa cidade.
O lema da campanha da nova gestão na campanha eleitoral era AGORA É A VEZ DO POVO. Pensando nisso me veio logo na mente à ditadura do proletariado, onde os trabalhadores assumirão o poder político e tem inicio um novo modelo econômico mais justo e menos explorador. Todavia, ainda não foi dessa vez que o idealismo se materializou e por enquanto, os blocos econômicos continuarão no poder.
Deixemos as ideias um pouco de lado e vamos pra prática. Essa nova administração que governará Caririaçu, até bem pouco tempo atrás era a oposição e, portanto deve saber das enfermidades e das responsabilidades que é governar um burgo, por menor que ele seja, que é caso da Serra de São Pedro. Mais do que isso, eles são filhos de Caririaçu e bons por natureza.
Como são sabidos, os principais problemas são a saúde, (ou melhor, a doença), falta de água potável, lixão, falta de emprego e renda, trânsito caótico e criminalidade.
Saúde
Na saúde temos a infraestrutura herdada pela administração passada. Já dissemos aqui que essa infraestrutura era nada mais do que um progresso ilusório. Mas isso é passado e devemos olhar pra frente, olhando para o passado só aprendermos como os erros dos outros. Agora é só investir no ser humano e nos seus conhecimentos, fornecendo equipamentos e dando lhe a oportunidade de cuidar dos seus semelhantes.
Ainda em relação à saúde, falta a São Pedro uma maternidade e isso não passa pela cabeça de ninguém, se passa, essa ideia não é compartilhada com os outros. Sem uma clínica obstétrica, logo a nossa população será toda nascida fora e “quem é de fora representa a personificação da maldade humana e não tem nenhuma idoneidade”. Por que uma parturiente de São Pedro não pode dá a luz aqui na serra?
Água
A nossa água parece mais lama, o fato de consumi-la deve representar a aquisição consciente de moléstias. É triste abrir a torneira e dela sair os restos mortais dos nossos prazeres, também chamado de sujeira ou lixo, ou invés de água potável.
Outra coisa que se alguém já pensou a deixou no anonimato, o fato de estudarmos o nosso solo. Sabemos que em alguns locais facilmente encontramos apêndices de lençóis freáticos, as veias d´agua como dizem os beraderos. Por que não se estudar a qualidade dessa água e dependendo da potabilidade, ver o que dá pra se fazer com ela?
Renda
Outra questão é falta de renda, afinal tirando aposentados e a bolsa-domina-cidadão, o que fica de São Pedro? Necessitamos de emprego e esperamos que os únicos disponíveis não sejam os da prefeitura, onde para consegui-los é necessário passar por um pérfido e disputadíssimo concurso de soldados ideológicos com provas práticas de servidão. Tomara que não seja apenas renovada a vassalagem. Todavia, temos o emprego da roça, somos matutos do pé rachado. E se não chover?
Nossa cidade é uma cidade rural caminhando para ser comercial e que alguns dizem que jamais será industrial. Mas é preciso gerar emprego com urgência se não a nossa população, mormente a jovem, irá toda para Nova Caririaçu, ops, Nova Serrana, ou será recrutada pelo tráfico.
Lixão
Dizem que vem um aterro sanitário aí e que ele vai acabar com o nosso “lixão-mirante”. Sabemos que esse aterro, por melhor que seja, ainda representa poluição. Vamos enxergar além do nosso nariz, o que eu proponho é que o executivo municipal investisse ou financiasse uma coleta seletiva. Isso mesmo, pois isso preservaria o meio-ambiente e geraria empregos. Seríamos exemplo de economia sustentável e não apenas mais um hospedeiro da falta de visão futura.
Trânsito
O problema do trânsito é mais fácil de resolver do que andar pra frente, não que irá deixar de acontecer acidentes, mas diminuirá drasticamente e ainda educará condutores e pedestres. A solução é nada mais nada menos que cumprir a lei, principalmente as pecuniárias, aquelas que geram multas.
Criminalidade
Enquanto a criminalidade que nos assola, só pode ser fruto da conivência das autoridades e o contrário é uma afronta à inteligência de qualquer pessoa. Ou são coniventes ou incompetentes. Talvez sejam lulistas: não sei de nada, não vi nada, não aconteceu nada...
Enquanto a cultura, o que a nova gestão pensa do Museu Nogueira Machado? E da letrista do nosso hino, Donana, que é sempre alijada dos nossos rituais festivos?
Um dos grandes acertos da administração passada foi a criação e realização do campeonato municipal de futsal e esperamos que continue.
Lógico que esses não são os únicos problemas de Caririaçu. Entretanto, por hora, apreciemos esses.
É esperado que alguma coisa seja feita para amenizar o que foi acima citado. E torceremos e esperamos sinceramente que o axioma de Rousseau que diz que “Os povos, uma vez acostumados com senhores, não podem mais passar sem eles” [1], não faça nenhum sentido pra nós.
BOA SORTE A NOVA ADMISTRAÇÃO E LEMBREM-SE DE QUE, NEM SEMPRE O ÉXITO DO GOVERNANTE É O BEM-ESTAR DA POPULAÇÃO!

PS: Que agora seja a vez do povo realmente. A vez do povo não ligar para tanta besteira da politicalha, (que alguns políticos fazem questão de alimentar) a vez do povo ler mais, estudar mais, se informar mais e cobrar mais de quem deve trabalhar para melhorar a sua vida!



[1] Extraído da dedicatória do Discurso Sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Turista do Inferno


                                                                                                                       Por Marcelo Sam

O caso que vou contar aconteceu aqui na nossa Serra de São Pedro e é muito intrigante. O fato aconteceu em meados dos anos 60 e foi relatado pela senhora Rosalina Maria de Jesus, testemunha ocular caso.

Trata-se de fragmentos da vida de um homem que suspostamente visitava o inferno. Ele era conhecido por Seu Paulino, um senhor de 78 anos de idade e de mistérios sobre sua simples vida.

Seu Paulino comprava porcos, matava-os e vendia sua carne nas redondezas. Ele dizia a todos que era amigo do diabo e que sempre visitava o inferno a convite do seu amigo.

Nessas idas, aonde muita gente diz que é o centro da terra, ele afirmava que via lá pessoas que ainda estavam vivas. Essas pessoas eram da sua região, o Sítio Formiga.

Ele também proferia conselhos que dizia ser do diabo. Seu Paulino falava que quando um homem fosse ao bar, nunca bebesse a cachaça no copo do estabelecimento, sempre levasse o seu próprio copo, pois quando se bebe no utensílio do bar, o demônio pula dentro dele. Isso era a explicação porque quando as pessoas bebem mudam psicologicamente. Seu Paulino sempre tomava sua cachacinha numa cuia de coco.

As pessoas sempre paravam para escutar as experiências narradas por Seu Paulino. Ele contava que quem estava em pior situação na casa de seu amigo, o diabo, eram as costureiras que não entregavam os restos dos retalhos e linhas para os seus donos quando terminavam a encomenda das roupas. Outros também que estavam mal eram os compadres e comadres que tinham algum relacionamento amoroso. No inferno, ele via as costureiras com seus balaios de retalhos e os compadres que ficavam assando no local mais quente.

E o que mais deixava as pessoas abismadas era quando ele dizia que ia ao inferno e amanhecia o dia com um lado do corpo chamuscado de fogo. Dona Rosalina afirma ter visto as queimaduras.

Alguns diziam que ele era um louco mentiroso e que estava caducando, mas as marcas de fogo existiram realmente.

Apesar dos incrédulos duvidarem, Seu Paulino se tornou uma espécie de conselheiro na região onde morava e todos queriam escutar as palavras do diabo ditas a ele e que ele repassava às pessoas. Seu Paulino também contava quais eram as pessoas que ele tinha visto no inferno.

Nunca poderemos saber se essa história é verdadeira ou não. Mas uma coisa pode-se afirmar: há muitos mistérios entre o seu e a terra e a história de Seu Paulino deixa uma lição para agirmos com retidão, se não o inferno é logo ali...

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Primeiro Censo de Caririaçu


O primeiro censo realizado na cidade de Caririaçu ocorreu ainda no séc. XIX, no ano de 1890. Este censo foi o segundo no Brasil e o primeiro do período republicano. O primeiro recenseamento ocorrido nas terras descobertas por Cabral deu-se em 1872.
A nossa cidade na época ainda era uma jovenzinha vila, possuía 14 anos de independência política, visto que sua emancipação ocorreu em 1876 e ainda trazia o nome de São Pedro do Crato. Em 1918 o então presidente[1] do Ceará João Thomé de Saboya e Silva[2] alterou o nome para São Pedro do Cariry[3] e em 1943, finalmente nomeou-se a nossa cidade de Caririaçu, o Kariri grande.
Nesta época, Caririaçu contava com o distrito do Junco, atual município de Granjeiro, e sua paróquia era de Nossa Senhora Das Dores. Porém esta informação pode ter sido um equívoco do Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas, através da Secretaria Geral de Estatística[4], inspirado numa lei de 1879 que transferia a freguesia de São Pedro para o povoado de Joazeiro, hoje Juazeiro do Norte.
A população correspondia a 2 237 (dois mil, duzentos e trinta e sete) homens e 2 198 (dois mil, cento e noventa e oito) mulheres, totalizando 4 435 (quatro mil, quatrocentos e trinta cinco) são-pedrenses.
Naquele tempo de censo precursor, a nossa pequena povoação estava sob a tutela eclesiástica de Cícero Romão Batista e era administrada politicamente pelo intendente Francisco Leite de Araújo.
Mostrando certa importância a vila de São Pedro não ficou de fora do censo de 1872. E aqui foram contados os habitantes daquela época e o embrião de Caririaçu apontava uma população de 55 escravos. Isso mostra certa pujança na economia agrária da época.

PS: Os dados retratam apenas a densidade demografia da cidade de Caririaçu na época, não considerando o padrão e a qualidade da vida dos recenseados. Fato notório era o registro das igrejas dos lugarejos, o que evidencia o fato de praticamente não existir o protestantismo e o pluralismo de religiões dos dias contemporâneos. Nada de anormal nisso, pois até a Proclamação da República em 1889 o Catolicismo era a religião oficial do Brasil.




[1] Naquela época as províncias não tinham governadores como nos dias de hoje e sim presidentes, que por sua vez eram indicados pelo presidente da República.
[2] Primeiro Governador a visitar a nossa cidade. Isso aconteceu na segunda década do século passado.
[3] Na época Cariri se escrevia com ipsilone.
[4] Instituição responsável pela coleta de dados da época, pois naquele tempo ainda não existia o IBGE. Ele foi fundado em 1934 e instalado em 1936 com o nome de Instituto Nacional de Estatística.

sábado, 13 de outubro de 2012

Bem-vindos à Cidade do Orelhão!



Todo local é conhecido por um feito, marco ou edificação. E sempre existe uma imagem que nos possa remeter uma lembrança desse espaço. Algo que nos faça pensar, imaginar e até mesmo nos levar a querer ir para esse lugar.
Na cidade luz, Paris, tem-se a Torre Eiffel, em Nova York temos a Estatua da Liberdade, na Índia o Taj Mahal, a China tem a sua muralha e o Egito tem as suas pirâmides. Aqui no Brasil também existem grandes belezas e imagens que nos fazem lembrar e relembrar este lugar. No Rio de Janeiro temos, como exemplo, o Cristo Redentor. Já em Fortaleza temos a ponte Metálica, também conhecida como pontes dos ingleses. Aqui na nossa cidade vizinha, Juazeiro do Norte, milhares de romeiros vêm várias vezes ao ano pedir a bênção ao “meu padim”.
E aqui na querida Serra de São Pedro não poderia ser diferente. Também é necessário levar o nosso nome aos ouvidos do mundo. No nosso caso, dessa serra altaneira, foi deixada no alto desse vale uma marca que nos remeteria a ideia do que seria Caririaçu. Foi aí, nessa pequena cidade que se inaugurou um orelhão, fato este, que deu fama à nossa cidade em boa parte do que se entende por Brasil.
Bem, além de ser um fato vergonhoso e digno de repulsa. Mas enquanto uns lacrimejam outros vendem lenços, também pode se tirar proveito dessa situação (diga-se de passagem, a oposição adorou). Mas, não é bem do uso desse feito pela oposição que falarei aqui.
Como toda cidade tem seu(s) marco(s), é natural que elas se utilizem deles para divulgar a localidade, uma dessas formas é o comércio. É comum, quando visitamos um lugar, comprar aquela famosa lembrancinha, para presentear ou simplesmente guardar. Fotos, camisas, fitas, canecas entre outros. Aqui nas adjacências temos como exemplo o Pe. Cícero, que é abordado nesse trabalho.
Fica a dica para Caririaçu, cidade que em plena época da aceleração digital inaugura um orelhão, usar o tão sonhado telefone público como assunto, já que foi assim que a cidade ficou conhecida. E naquelas frases, bordão, que se refere à cidade coloque-se: “Estive em Caririaçu e liguei pra você”.
Trabalho feito por uma artesã local.
Interessados procurar algum dos integrantes deste blog
Só lamento isso ter acontecido, pois sei que a nossa cidade poderia ter sido abordada de outras formas. Vista de outros modos. Ter sido olhada pela sua cultura, por exemplo, pelo trabalho artesanal que ainda se é feito. Pelas músicas das bandas cabaçais, pelo reisado. Enfim, pelo seu contexto sociocultural que a cada dia está a se perder.
O que somos? Parece-me que ficamos rotulados Brasil afora como descendentes de índios (Kariris) que viveu seu apogeu ao inaugurar-se um orelhão. Já disseram que no mundo tem gente pra tudo. Eu digo mais: no mundo tem gente pra tudo e ainda sobram dois, um pra inaugurar um orelhão e outro pra bater palmas.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Safra de Eleição


Como diz o poeta das coisas do sertão, Jessier Quirino, chegamos à época da safra de eleição. As candidaturas estão soprando benesses ao sabor dos ventos.  Elas exaurem os termos honestidade e trabalho. A história da humanidade mostra que essas duas palavras sempre estiveram presentes nos discursos dos “messiânicos” que diziam que iam livrar os governados da tirania. Mas o que se observa é miséria, fome e ganância. Desde a gênese da propriedade privada, honestidade e justiça social nunca mais existiram. Ambas foram sepultadas com o bem comum.
Porém, este período de consulta ou de compra do povo, deixa evidente uma verdade inconveniente. Vivemos numa sociedade extremamente pobre, tem amigos nossos que só comem carne quando mordem a própria língua. Contudo, na contramão disso, só elegemos pessoas que se não são literalmente burguesas, mas pelo menos são abastadas.
Esse sistema de escolha, também chamado de eleição, surgiu provavelmente na Roma antiga.
Lá propuseram que pessoas candidatassem-se com o objetivo de gerenciar a coisa pública e torná-la um serviço mais acessível e que atenda ou amenize as mazelas da sociedade. Assim, essas pessoas chamadas de candidatos se submetem ao julgo popular.  Mas esse sistema como o conhecemos hoje, surgiu por volta do século XVII na Europa e América do Norte com o advento dos governos representativos.
Entretanto nos dias que presenciamos, esse julgamento do populacho sofre com grilhões invisíveis que lhe condiciona o direcionamento da sua escolha.  
Para se chegar a transmitir a sua parcela de poder a outra pessoa há alguns elementos conhecidos e desconhecidos.
Primeiro, somos bombardeados pela ideia subliminar e fajuta de que só sabe governar quem é rico ou abastado, ou seja, nós pobres inconscientemente negamos a nossa própria classe social[1]. Por isso um pobre quando se candidata, ao invés de ser estimulado para lutar em favor de sua classe, é escarnecido por cidadãos iguais a ele. Destarte só votamos em pessoas com certo nível de bens materiais para que ele defenda a sua classe e oprima a classe inferior. Oprimir? O termo é oprimir mesmo, pois Maquiavel, considerado o maior estudioso sobre política que o mundo já viu, disse no O Príncipe, sua obra principal, que todo sistema de governo engendrado pelo homem, há duas vontades antagônicas: o arbítrio do governante de dominar e oprimir e o desejo do povo de não ser dominado e nem oprimido. Já Marx disse no seu Manifesto do Partido Comunista que o governo moderno é o comitê para gerir os negócios da burguesia.
Segundo, o nosso modo de produção nos faz uma lavagem cerebral e diz que nós só somos fracassados (pobres) porque não nos capacitamos suficientemente para aproveitar as oportunidades que existem e que o mercado nos oferece. Será que há sete bilhões de empregos ociosos? Tal oportunidade consiste em vender sua força de trabalho para gerar lucros demasiados para o dono da empresa, através da mais-valia[2]. Novamente pobre não vota em pobre. Só quem tem idoneidade é quem tem dinheiro, quanto mais dinheiro melhor administrador será. Viva o dinheiro, o Zeus do nosso Olimpo.
O poder emana do povo e em seu nome é exercido, isso não faz nenhum sentido na sociedade caririaçuense passada e ainda contemporânea. Aqui o poder emana é de quem tem dinheiro e é exercido em nome de algumas poucas oligarquias.
Assim, infere-se que eleição em Caririaçu é um embate de classes sociais, onde a ralé não tem consciência desse conflito. Como dizia Marx, a luta de classes é o motor da história. Nessa ocasião a classe abastada, consciente ou inconsciente, ludibria a paupérrima.  Para verificar esse fato basta observar quem são os principais candidatos... São empresários, não é mesmo? Porém não sou contra os empresários, pois também sou uma vítima do desejo de ascender materialmente. Tenho aversão é ao poder e aos seus conchavos, conciliábulos, menoscabo e suas implicações tirânicas.
Desta forma, na época das campanhas eleitorais poderíamos ter uma boa discussão sobre esse assunto da servidão voluntária da sociedade para com os postulantes a gerir res publica.
Entretanto, para manter esse sistema de dominação da classe rica sobre a plebe rude surdem as barganhas eleitoreiras.
Não é segredo para ninguém que o que move e alimenta o nosso sistema de escolha dos governantes é a compra de votos e o clientelismo.
Muitas pessoas são vítimas daquela ideia que diz que “só na época de política pobre tem valor”. Enquanto algumas pessoas insistem em pensar assim, outras engendram arquétipos ideológicos para que você continue no deleitamento da sua ignorância. Pobres idiotas não sabem que política é análogo ao envelhecimento, um processo ininterrupto.
Não é só nesta época que pobre tem valor, noutros períodos é a ralé que não se autovaloriza e é catequizada por esse conceito que mascara e sugere outra realidade. Destarte quando chega o período eleitoral ela, a ralé, adentra no rolo da corrupção.
Nós, os escravos do capitalismo nos corrompemos porque trocamos o nosso voto por uma simples promessa, algumas cédulas, alguns tijolos, alguns grãos de areia, alguns sacos de cimento, algumas toras de pau, combustível, um churrasquinho e por aí vai... Dizem que nessa época temos que aproveitar, afinal “os políticos só se lembram que existimos nesses tempos”, o bom e velho jeitinho brasileiro.  Oh, admirável mundo novo de criaturas tais!
Todavia, você que troca o seu poder de escolha por alguns desses elementos é você mesmo quem é o mecenas dessa corrupção que nos tortura. Quando a televisão mostra a devassidão da politica nacional você fica indignado, furioso, e se pergunta como eles fazem isso com o povo? Afinal, está sendo roubado com os dois pés e as duas mãos o acúmulo de nossos impostos que deveriam ser revertidos em melhorias sociais. Pois não se zangue os corruptos são apenas o reflexo do que somos. Sujeitos que queremos levar vantagem em tudo e que se não roubarmos e se quisermos levar uma vida de honestidade, seremos logo rotulados de energúmenos. Quem não rouba é um imbecil, calhorda e velhaco. Quem quer ser honesto nessa moderna civilização, pode se preparar para ser hostilizado e pilheriado por seus semelhantes. Honestidade hoje soa até como autoflagelo.
Parece existir uma inversão de funções: observa-se que existe um inconsciente coletivo na sociedade de que a população deve está a serviço dos personagens eleitos, quando na verdade era pra ser literalmente o contrário. Traços de uma sociedade historicamente servil e masoquista.
Mas existe uma contradição aí: como que uma pessoa diz que estar candidata para ajudar o povo se ao mesmo tempo ela oferece elementos ilícitos para adquirir a confiança do povaréu? Tá faltando ideias senhores candidatos? Ou se aproveitar da falta de saber do povo é melhor? Hein? Hein? Hein...?
Meio antagônico isso, será que quando chegar ao poder ela não irá apenas querer dominar as classes infames e reaver as saídas de seu cabedal de injustiças e espertezas?
Contudo, você que está lendo essas tolas palavras e imaginando que o seu autor deve ser um otário e falso moralista, talvez ela seja realmente isso. Afinal, “cada um tem o seu ponto de vista/encare a ilusão da sua ótica” [3].
Se for prostituir o seu voto, prostitua. Mas prostitua o seu direito de lutar contra as injustiças, seu direito de voz, sua atitude de lutar contra as inópias, o médico e o professor do seu filho. Prostitua tudo isso, mas venda muito caro e não venda para se tornar uma marionete de quem te comprou e não servir de pilhéria para outro que se prostituiu mais caro.
Venda o seu voto, assim você perceberá que estão te tratando literalmente como porcos e dando lhe exíguas migalhas de um osso ruído, enquanto o filé untado de injustiças está sendo degustado em pomposas mesas e talheres de porcelana em ambientes onde o povo não deve ter acesso.
Não sei quem será o vencedor desta contenda “democrática”, mas certamente não será o povo e sim uma pequena minoria que já tem mais do que o suficiente para sobreviver nessa selva capitalista e nós, a mundiça, continuaremos sendo somente a mundiça. Quem vencerá é quem soube negociar melhor, porque os candidatos que aí estão enxergam na politica um negócio altamente lucrativo, afinal eles são empresários e pequenos burgueses e assim o lucro está bem acima da dignidade humana.
Quem deveria se interessar pela política não tem o mínimo interesse e isso proporciona aos abastados medrarem o seu patrimônio de maneira legitima.
É como se estivesses numa tempestade diluviana e só existisse um guarda-chuva. Pelo o que se observa, não cabem nele todos àqueles que almejam se proteger. Ele suporta apenas uma minoria e a maioria fica exposta aos dissabores do temporal. Mas ele poderia muito bem ter os seus sustentáculos alargados, bastaria à instrução do povo para isso.
O que significa esse guarda-chuva? Por que ele não abarca todos os necessitados? E o temporal, que é? Quem é a minoria? E você, amigo leitor, está protegido das intempéries?

PS: Política não se trata de saber em quem seu vizinho, amigo ou parente irá votar, isso é cuidar da vida dos outros.

PSS: Chegado o dia da eleição irei votar, irei sim, tenho que ir. Mas vou com a letargia de uma tartaruga indolente, pois não vejo nenhuma perspectiva de melhora em digitar números num aparelho eletrônico. Sei que eu votando ou não, nada mudará e o povo vai continuar sendo humilhado, massacrado, explorado e manipulado por algum desses senhores que se apresentam com as alvíssaras da injustiça (não é nada pessoal, injustiças por causa das incongruências da representatividade). Herdeiros do fim do mundo gostaria imensuravelmente que isso não fosse verdade.

PSSS: Mesmo sabendo que quem escreveu essas palavras se lascou do primeiro ao quinto em uma sociedade bitolada e em que pobre não deve pensar, deve apenas servi, esse pequeno artigo foi um mal necessário.




[1] Camada da sociedade composta de indivíduos com bens e interesses materiais semelhantes.
[2] Trabalho excedente não remunerado e apropriado pelo dono da empresa.
[3] Trecho da música Ilusão de Ótica de Engenheiros do Hawaii