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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Turista do Inferno


                                                                                                                       Por Marcelo Sam

O caso que vou contar aconteceu aqui na nossa Serra de São Pedro e é muito intrigante. O fato aconteceu em meados dos anos 60 e foi relatado pela senhora Rosalina Maria de Jesus, testemunha ocular caso.

Trata-se de fragmentos da vida de um homem que suspostamente visitava o inferno. Ele era conhecido por Seu Paulino, um senhor de 78 anos de idade e de mistérios sobre sua simples vida.

Seu Paulino comprava porcos, matava-os e vendia sua carne nas redondezas. Ele dizia a todos que era amigo do diabo e que sempre visitava o inferno a convite do seu amigo.

Nessas idas, aonde muita gente diz que é o centro da terra, ele afirmava que via lá pessoas que ainda estavam vivas. Essas pessoas eram da sua região, o Sítio Formiga.

Ele também proferia conselhos que dizia ser do diabo. Seu Paulino falava que quando um homem fosse ao bar, nunca bebesse a cachaça no copo do estabelecimento, sempre levasse o seu próprio copo, pois quando se bebe no utensílio do bar, o demônio pula dentro dele. Isso era a explicação porque quando as pessoas bebem mudam psicologicamente. Seu Paulino sempre tomava sua cachacinha numa cuia de coco.

As pessoas sempre paravam para escutar as experiências narradas por Seu Paulino. Ele contava que quem estava em pior situação na casa de seu amigo, o diabo, eram as costureiras que não entregavam os restos dos retalhos e linhas para os seus donos quando terminavam a encomenda das roupas. Outros também que estavam mal eram os compadres e comadres que tinham algum relacionamento amoroso. No inferno, ele via as costureiras com seus balaios de retalhos e os compadres que ficavam assando no local mais quente.

E o que mais deixava as pessoas abismadas era quando ele dizia que ia ao inferno e amanhecia o dia com um lado do corpo chamuscado de fogo. Dona Rosalina afirma ter visto as queimaduras.

Alguns diziam que ele era um louco mentiroso e que estava caducando, mas as marcas de fogo existiram realmente.

Apesar dos incrédulos duvidarem, Seu Paulino se tornou uma espécie de conselheiro na região onde morava e todos queriam escutar as palavras do diabo ditas a ele e que ele repassava às pessoas. Seu Paulino também contava quais eram as pessoas que ele tinha visto no inferno.

Nunca poderemos saber se essa história é verdadeira ou não. Mas uma coisa pode-se afirmar: há muitos mistérios entre o seu e a terra e a história de Seu Paulino deixa uma lição para agirmos com retidão, se não o inferno é logo ali...

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Primeiro Censo de Caririaçu


O primeiro censo realizado na cidade de Caririaçu ocorreu ainda no séc. XIX, no ano de 1890. Este censo foi o segundo no Brasil e o primeiro do período republicano. O primeiro recenseamento ocorrido nas terras descobertas por Cabral deu-se em 1872.
A nossa cidade na época ainda era uma jovenzinha vila, possuía 14 anos de independência política, visto que sua emancipação ocorreu em 1876 e ainda trazia o nome de São Pedro do Crato. Em 1918 o então presidente[1] do Ceará João Thomé de Saboya e Silva[2] alterou o nome para São Pedro do Cariry[3] e em 1943, finalmente nomeou-se a nossa cidade de Caririaçu, o Kariri grande.
Nesta época, Caririaçu contava com o distrito do Junco, atual município de Granjeiro, e sua paróquia era de Nossa Senhora Das Dores. Porém esta informação pode ter sido um equívoco do Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas, através da Secretaria Geral de Estatística[4], inspirado numa lei de 1879 que transferia a freguesia de São Pedro para o povoado de Joazeiro, hoje Juazeiro do Norte.
A população correspondia a 2 237 (dois mil, duzentos e trinta e sete) homens e 2 198 (dois mil, cento e noventa e oito) mulheres, totalizando 4 435 (quatro mil, quatrocentos e trinta cinco) são-pedrenses.
Naquele tempo de censo precursor, a nossa pequena povoação estava sob a tutela eclesiástica de Cícero Romão Batista e era administrada politicamente pelo intendente Francisco Leite de Araújo.
Mostrando certa importância a vila de São Pedro não ficou de fora do censo de 1872. E aqui foram contados os habitantes daquela época e o embrião de Caririaçu apontava uma população de 55 escravos. Isso mostra certa pujança na economia agrária da época.

PS: Os dados retratam apenas a densidade demografia da cidade de Caririaçu na época, não considerando o padrão e a qualidade da vida dos recenseados. Fato notório era o registro das igrejas dos lugarejos, o que evidencia o fato de praticamente não existir o protestantismo e o pluralismo de religiões dos dias contemporâneos. Nada de anormal nisso, pois até a Proclamação da República em 1889 o Catolicismo era a religião oficial do Brasil.




[1] Naquela época as províncias não tinham governadores como nos dias de hoje e sim presidentes, que por sua vez eram indicados pelo presidente da República.
[2] Primeiro Governador a visitar a nossa cidade. Isso aconteceu na segunda década do século passado.
[3] Na época Cariri se escrevia com ipsilone.
[4] Instituição responsável pela coleta de dados da época, pois naquele tempo ainda não existia o IBGE. Ele foi fundado em 1934 e instalado em 1936 com o nome de Instituto Nacional de Estatística.

sábado, 13 de outubro de 2012

Bem-vindos à Cidade do Orelhão!



Todo local é conhecido por um feito, marco ou edificação. E sempre existe uma imagem que nos possa remeter uma lembrança desse espaço. Algo que nos faça pensar, imaginar e até mesmo nos levar a querer ir para esse lugar.
Na cidade luz, Paris, tem-se a Torre Eiffel, em Nova York temos a Estatua da Liberdade, na Índia o Taj Mahal, a China tem a sua muralha e o Egito tem as suas pirâmides. Aqui no Brasil também existem grandes belezas e imagens que nos fazem lembrar e relembrar este lugar. No Rio de Janeiro temos, como exemplo, o Cristo Redentor. Já em Fortaleza temos a ponte Metálica, também conhecida como pontes dos ingleses. Aqui na nossa cidade vizinha, Juazeiro do Norte, milhares de romeiros vêm várias vezes ao ano pedir a bênção ao “meu padim”.
E aqui na querida Serra de São Pedro não poderia ser diferente. Também é necessário levar o nosso nome aos ouvidos do mundo. No nosso caso, dessa serra altaneira, foi deixada no alto desse vale uma marca que nos remeteria a ideia do que seria Caririaçu. Foi aí, nessa pequena cidade que se inaugurou um orelhão, fato este, que deu fama à nossa cidade em boa parte do que se entende por Brasil.
Bem, além de ser um fato vergonhoso e digno de repulsa. Mas enquanto uns lacrimejam outros vendem lenços, também pode se tirar proveito dessa situação (diga-se de passagem, a oposição adorou). Mas, não é bem do uso desse feito pela oposição que falarei aqui.
Como toda cidade tem seu(s) marco(s), é natural que elas se utilizem deles para divulgar a localidade, uma dessas formas é o comércio. É comum, quando visitamos um lugar, comprar aquela famosa lembrancinha, para presentear ou simplesmente guardar. Fotos, camisas, fitas, canecas entre outros. Aqui nas adjacências temos como exemplo o Pe. Cícero, que é abordado nesse trabalho.
Fica a dica para Caririaçu, cidade que em plena época da aceleração digital inaugura um orelhão, usar o tão sonhado telefone público como assunto, já que foi assim que a cidade ficou conhecida. E naquelas frases, bordão, que se refere à cidade coloque-se: “Estive em Caririaçu e liguei pra você”.
Trabalho feito por uma artesã local.
Interessados procurar algum dos integrantes deste blog
Só lamento isso ter acontecido, pois sei que a nossa cidade poderia ter sido abordada de outras formas. Vista de outros modos. Ter sido olhada pela sua cultura, por exemplo, pelo trabalho artesanal que ainda se é feito. Pelas músicas das bandas cabaçais, pelo reisado. Enfim, pelo seu contexto sociocultural que a cada dia está a se perder.
O que somos? Parece-me que ficamos rotulados Brasil afora como descendentes de índios (Kariris) que viveu seu apogeu ao inaugurar-se um orelhão. Já disseram que no mundo tem gente pra tudo. Eu digo mais: no mundo tem gente pra tudo e ainda sobram dois, um pra inaugurar um orelhão e outro pra bater palmas.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Safra de Eleição


Como diz o poeta das coisas do sertão, Jessier Quirino, chegamos à época da safra de eleição. As candidaturas estão soprando benesses ao sabor dos ventos.  Elas exaurem os termos honestidade e trabalho. A história da humanidade mostra que essas duas palavras sempre estiveram presentes nos discursos dos “messiânicos” que diziam que iam livrar os governados da tirania. Mas o que se observa é miséria, fome e ganância. Desde a gênese da propriedade privada, honestidade e justiça social nunca mais existiram. Ambas foram sepultadas com o bem comum.
Porém, este período de consulta ou de compra do povo, deixa evidente uma verdade inconveniente. Vivemos numa sociedade extremamente pobre, tem amigos nossos que só comem carne quando mordem a própria língua. Contudo, na contramão disso, só elegemos pessoas que se não são literalmente burguesas, mas pelo menos são abastadas.
Esse sistema de escolha, também chamado de eleição, surgiu provavelmente na Roma antiga.
Lá propuseram que pessoas candidatassem-se com o objetivo de gerenciar a coisa pública e torná-la um serviço mais acessível e que atenda ou amenize as mazelas da sociedade. Assim, essas pessoas chamadas de candidatos se submetem ao julgo popular.  Mas esse sistema como o conhecemos hoje, surgiu por volta do século XVII na Europa e América do Norte com o advento dos governos representativos.
Entretanto nos dias que presenciamos, esse julgamento do populacho sofre com grilhões invisíveis que lhe condiciona o direcionamento da sua escolha.  
Para se chegar a transmitir a sua parcela de poder a outra pessoa há alguns elementos conhecidos e desconhecidos.
Primeiro, somos bombardeados pela ideia subliminar e fajuta de que só sabe governar quem é rico ou abastado, ou seja, nós pobres inconscientemente negamos a nossa própria classe social[1]. Por isso um pobre quando se candidata, ao invés de ser estimulado para lutar em favor de sua classe, é escarnecido por cidadãos iguais a ele. Destarte só votamos em pessoas com certo nível de bens materiais para que ele defenda a sua classe e oprima a classe inferior. Oprimir? O termo é oprimir mesmo, pois Maquiavel, considerado o maior estudioso sobre política que o mundo já viu, disse no O Príncipe, sua obra principal, que todo sistema de governo engendrado pelo homem, há duas vontades antagônicas: o arbítrio do governante de dominar e oprimir e o desejo do povo de não ser dominado e nem oprimido. Já Marx disse no seu Manifesto do Partido Comunista que o governo moderno é o comitê para gerir os negócios da burguesia.
Segundo, o nosso modo de produção nos faz uma lavagem cerebral e diz que nós só somos fracassados (pobres) porque não nos capacitamos suficientemente para aproveitar as oportunidades que existem e que o mercado nos oferece. Será que há sete bilhões de empregos ociosos? Tal oportunidade consiste em vender sua força de trabalho para gerar lucros demasiados para o dono da empresa, através da mais-valia[2]. Novamente pobre não vota em pobre. Só quem tem idoneidade é quem tem dinheiro, quanto mais dinheiro melhor administrador será. Viva o dinheiro, o Zeus do nosso Olimpo.
O poder emana do povo e em seu nome é exercido, isso não faz nenhum sentido na sociedade caririaçuense passada e ainda contemporânea. Aqui o poder emana é de quem tem dinheiro e é exercido em nome de algumas poucas oligarquias.
Assim, infere-se que eleição em Caririaçu é um embate de classes sociais, onde a ralé não tem consciência desse conflito. Como dizia Marx, a luta de classes é o motor da história. Nessa ocasião a classe abastada, consciente ou inconsciente, ludibria a paupérrima.  Para verificar esse fato basta observar quem são os principais candidatos... São empresários, não é mesmo? Porém não sou contra os empresários, pois também sou uma vítima do desejo de ascender materialmente. Tenho aversão é ao poder e aos seus conchavos, conciliábulos, menoscabo e suas implicações tirânicas.
Desta forma, na época das campanhas eleitorais poderíamos ter uma boa discussão sobre esse assunto da servidão voluntária da sociedade para com os postulantes a gerir res publica.
Entretanto, para manter esse sistema de dominação da classe rica sobre a plebe rude surdem as barganhas eleitoreiras.
Não é segredo para ninguém que o que move e alimenta o nosso sistema de escolha dos governantes é a compra de votos e o clientelismo.
Muitas pessoas são vítimas daquela ideia que diz que “só na época de política pobre tem valor”. Enquanto algumas pessoas insistem em pensar assim, outras engendram arquétipos ideológicos para que você continue no deleitamento da sua ignorância. Pobres idiotas não sabem que política é análogo ao envelhecimento, um processo ininterrupto.
Não é só nesta época que pobre tem valor, noutros períodos é a ralé que não se autovaloriza e é catequizada por esse conceito que mascara e sugere outra realidade. Destarte quando chega o período eleitoral ela, a ralé, adentra no rolo da corrupção.
Nós, os escravos do capitalismo nos corrompemos porque trocamos o nosso voto por uma simples promessa, algumas cédulas, alguns tijolos, alguns grãos de areia, alguns sacos de cimento, algumas toras de pau, combustível, um churrasquinho e por aí vai... Dizem que nessa época temos que aproveitar, afinal “os políticos só se lembram que existimos nesses tempos”, o bom e velho jeitinho brasileiro.  Oh, admirável mundo novo de criaturas tais!
Todavia, você que troca o seu poder de escolha por alguns desses elementos é você mesmo quem é o mecenas dessa corrupção que nos tortura. Quando a televisão mostra a devassidão da politica nacional você fica indignado, furioso, e se pergunta como eles fazem isso com o povo? Afinal, está sendo roubado com os dois pés e as duas mãos o acúmulo de nossos impostos que deveriam ser revertidos em melhorias sociais. Pois não se zangue os corruptos são apenas o reflexo do que somos. Sujeitos que queremos levar vantagem em tudo e que se não roubarmos e se quisermos levar uma vida de honestidade, seremos logo rotulados de energúmenos. Quem não rouba é um imbecil, calhorda e velhaco. Quem quer ser honesto nessa moderna civilização, pode se preparar para ser hostilizado e pilheriado por seus semelhantes. Honestidade hoje soa até como autoflagelo.
Parece existir uma inversão de funções: observa-se que existe um inconsciente coletivo na sociedade de que a população deve está a serviço dos personagens eleitos, quando na verdade era pra ser literalmente o contrário. Traços de uma sociedade historicamente servil e masoquista.
Mas existe uma contradição aí: como que uma pessoa diz que estar candidata para ajudar o povo se ao mesmo tempo ela oferece elementos ilícitos para adquirir a confiança do povaréu? Tá faltando ideias senhores candidatos? Ou se aproveitar da falta de saber do povo é melhor? Hein? Hein? Hein...?
Meio antagônico isso, será que quando chegar ao poder ela não irá apenas querer dominar as classes infames e reaver as saídas de seu cabedal de injustiças e espertezas?
Contudo, você que está lendo essas tolas palavras e imaginando que o seu autor deve ser um otário e falso moralista, talvez ela seja realmente isso. Afinal, “cada um tem o seu ponto de vista/encare a ilusão da sua ótica” [3].
Se for prostituir o seu voto, prostitua. Mas prostitua o seu direito de lutar contra as injustiças, seu direito de voz, sua atitude de lutar contra as inópias, o médico e o professor do seu filho. Prostitua tudo isso, mas venda muito caro e não venda para se tornar uma marionete de quem te comprou e não servir de pilhéria para outro que se prostituiu mais caro.
Venda o seu voto, assim você perceberá que estão te tratando literalmente como porcos e dando lhe exíguas migalhas de um osso ruído, enquanto o filé untado de injustiças está sendo degustado em pomposas mesas e talheres de porcelana em ambientes onde o povo não deve ter acesso.
Não sei quem será o vencedor desta contenda “democrática”, mas certamente não será o povo e sim uma pequena minoria que já tem mais do que o suficiente para sobreviver nessa selva capitalista e nós, a mundiça, continuaremos sendo somente a mundiça. Quem vencerá é quem soube negociar melhor, porque os candidatos que aí estão enxergam na politica um negócio altamente lucrativo, afinal eles são empresários e pequenos burgueses e assim o lucro está bem acima da dignidade humana.
Quem deveria se interessar pela política não tem o mínimo interesse e isso proporciona aos abastados medrarem o seu patrimônio de maneira legitima.
É como se estivesses numa tempestade diluviana e só existisse um guarda-chuva. Pelo o que se observa, não cabem nele todos àqueles que almejam se proteger. Ele suporta apenas uma minoria e a maioria fica exposta aos dissabores do temporal. Mas ele poderia muito bem ter os seus sustentáculos alargados, bastaria à instrução do povo para isso.
O que significa esse guarda-chuva? Por que ele não abarca todos os necessitados? E o temporal, que é? Quem é a minoria? E você, amigo leitor, está protegido das intempéries?

PS: Política não se trata de saber em quem seu vizinho, amigo ou parente irá votar, isso é cuidar da vida dos outros.

PSS: Chegado o dia da eleição irei votar, irei sim, tenho que ir. Mas vou com a letargia de uma tartaruga indolente, pois não vejo nenhuma perspectiva de melhora em digitar números num aparelho eletrônico. Sei que eu votando ou não, nada mudará e o povo vai continuar sendo humilhado, massacrado, explorado e manipulado por algum desses senhores que se apresentam com as alvíssaras da injustiça (não é nada pessoal, injustiças por causa das incongruências da representatividade). Herdeiros do fim do mundo gostaria imensuravelmente que isso não fosse verdade.

PSSS: Mesmo sabendo que quem escreveu essas palavras se lascou do primeiro ao quinto em uma sociedade bitolada e em que pobre não deve pensar, deve apenas servi, esse pequeno artigo foi um mal necessário.




[1] Camada da sociedade composta de indivíduos com bens e interesses materiais semelhantes.
[2] Trabalho excedente não remunerado e apropriado pelo dono da empresa.
[3] Trecho da música Ilusão de Ótica de Engenheiros do Hawaii

domingo, 5 de agosto de 2012

O Fundador de Caririaçu

No mês de agosto comemoram-se em nossa urbe as festividades de aniversário da Serra de São Pedro. “O nosso pedaço do Brasil” como disse Ana Soares Cardoso, a Donana, letrista do nosso hino.
Nos meus tempos de ensino fundamental, ainda criança, saindo das férias de julho e chegando o mês de agosto e com ele o segundo semestre escolar, as professoras passavam para os alunos um trabalho escolar sobre nossa cidade.
Nele se pedia o nome do fundador do nosso nicho, do padre, do prefeito, dos vereadores, das praças, das igrejas, dos distritos, das principais ruas, entre outras que o HD cerebral não está conseguindo trazer para a memória RAM da mente. Não sei dizer se ainda existe essa prática.
Nisso se resumiu todo o estudo sobre a minha cidade que tive na escola. Muito pouco, quase nada. Outra coisa: além de pedirem nomes, por que não pediram fatos, contextos e as possíveis ligações entre si e por que não intimaram também para eu simplesmente escrever sobre ela? Dizer o que eu pensava sobre o meu lugar, falar das pessoas, da minha vizinhança e da própria escola, etc. Eu sei que era criança e que sairia com muitas limitações, como ainda hoje sairia, mas porque limitar ainda mais? Fora do casulo as borboletas nos proporcionam inefáveis vôos e, às vezes, é preciso que os mestres deixem os pupilos se arriscarem a andar com as próprias pernas.
Todavia, esse tal trabalho teve a sua utilidade, pois foi nele que descobri que Caririaçu foi fundado pelo icoense José Joaquim de Santana.
Mas, eis que relendo o notável mestre, Raimundo de Oliveira Borges, surgiu uma dúvida em meu pobre chip cerebral.
Conta-se que São Pedro, como é chamado por alguns, ou Caririaçu, como é aceito por todos, nasceu nos arrabaldes duma pequena casa de comércio situada numa estrada que ligava o Crato, a nossa cidade mãe e o principal município do sul do estado na época, e o norte do estado do Ceará. Isso em meados do século XIX.
Segundo relatos esse casebre pertenceu a José Joaquim de Santana.
Porém, já no século XVIII, em 1760, o homem branco havia descoberto a Serra de São Pedro. Antes disso os dados históricos conhecidos inferem que nossa cidade havia sido habitada apenas por índios.
Pois bem, em 1760 Caririaçu foi descoberto ou achado por Miguel Cavalcante Campos.
Em Serra de São Pedro, Raimundo de Oliveira Borges faz uma citação do livro Região do Cariri de Edilmar Norões, F.S. Nascimento e Dorian Sampaio sobre o surgimento do nosso torrão:

Situado sobre plataforma da serra, São Pedro do Crato, São Pedro do Cariri e, finalmente, Caririaçu teve sua provável origem numa paragem para descanso dos viajantes que por aí transitavam, não se rejeitando também a hipótese de haver se desenvolvido em torno de uma das casas grandes dos primeiros senhores rurais da terra, podendo ter sido José Joaquim de Santana, segundo a tradição, ou Miguel Cavalcante Campos conforme depoimento de Irineu Pinheiro[1].

Segundo informações do historiador Irineu Pinheiro, a extinta revista semanal cratense, O Araripe, em sua edição de 13 de fevereiro de 1864, dissertou laconicamente sobre o falecimento da Sra.Bertoleza do Espírito Santo que se encontrava com 109 anos e que pouco antes de falecer, afirmara ter sido o seu cônjuge, Porciano Pereira, o primeiro indivíduo a erigir uma casa na Serra de São Pedro.
O que vou expor aqui não tem nenhuma comprovação histórica. É fruto apenas de leituras que me permitiram fazer essas conjecturas. Portanto, pode ser apenas um devaneio de neurônios ou íons hiperativos, cuja ação é tentar desvendar um passado que nos pertence e que, além disso, explica o presente.
Diante do que foi exposto acima, considera-se tradicionalmente que foi José Joaquim de Santana o iniciador do nosso aconchegante Caririaçu.
Entretanto, em meu singelo prisma foi o fundador de nossa urbe não Santana e sim Cavalcante Campos. Talvez eu esteja divagando e essas palavras sejam uma insolência ao passado, mas vou tentar expor a minha maneira de ver esse fato.
É sabido que Miguel Cavalcante, senão foi o pioneiro em explorar a Serra de São não distava muito em relação a ele.
Segundo relatos históricos, na sua exploração dos solos férteis da serra ele cultivava algodão e mandioca, entre outros gêneros, mas estes dois eram os principais. Assim ele necessitava de uma estrada, rodagem ou vereda, tinha que ter um caminho para escoar os produtos da sua lavoura até um possível consumidor, pois aqui não os tinha. Tinham os índios, mas esses produtos, provavelmente já eram bastante utilizados por eles e a barganha se tornaria inviável ao bandeirante.
Esta estrada poderia ter ido naturalmente para a cidade do Crato ou para o sentido contrário, Lavras da Mangabeira, dando inicio ao que hoje se chama rodovia Padre Cícero. Aos ir para os dois destinos concomitantemente.
Assim pode se ter iniciado a fundação de Caririaçu e não a sua povoação, pois povoada ela já era, ou iremos sonegar os índios?
Com esse possível caminho, José Joaquim de Santana pode ter percebido nisso um negócio vantajoso: abrir um pequeno comércio na cabeceira da serra aproveitando-se do clima e da abundância de água[2] e assim oferecer parcos serviços aos viajantes que por aqui transitavam. Destarte ele mudou-se com a sua família para São Pedro e em torno de sua residência e do seu comércio foram erigindo-se construções e pouco a pouco converter-se em vila e depois na cidade que conhecemos hoje. Diante disso, do meu jeito deformado de perceber os fatos só existiu o comerciante José Joaquim de Santana em Caririaçu porque antes existiu o bandeirante Miguel Cavalcante Campos.
Enquanto a Porciano Pereira ter sido o primeiro a unir tijolos com barro em nossa cidade, existem duas possibilidades óbvias: ou era um bandeirante abastado assim como Cavalcante Campos e foi degustado pelo ostracismo, ou era um pobre e foi caseiro de Miguel Cavalcante Campos sendo o responsável pela vigilância e manutenção do seu latifúndio.

PS: Vale ressaltar mais vez que isso não tem nenhuma comprovação histórica, é apenas o meu modo de interpretar e unir informações coletadas e talvez apareça alguém que munido de documentos derrube a minha teoria. Longe dessa minha tese ser cientifica, mas Karl Popper disse que uma teoria só é cientifica se for racionalmente refutável. Sendo assim que a refutem com argumentos melhores que os meus.



[1] BORGES, Raimundo de Oliveira. Serra de São Pedro Município de Caririaçu (Esboço Histórico). Tipografia e Papelaria do Cariri, Crato 1983. p.30.
[2] Nessa época, na Serra de São Pedro a água brotava naturalmente devido a vasta vegetação virgem que ela ostentava.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

ABERTA A TEMPORADA DE NEGOCIAÇÕES... "VÃO DÁ AS CARA"!

                                                                                                                                     Por Antonio Messias



Voto não tem preço, têm consequências. O voto antes de qualquer coisa é um direito, direito esse que muitos sofreram para conquistar. O voto em si tem sua história, suas curiosidades. Neste texto colocarei um pouco dessa história para que se possa ter uma percepção de quão importante é esse direito.
As eleições no Brasil teve início cedo, 32 (trinta e dois) anos após seu descobrimento. Ela se deu na Vila de São Vicente no ano de 1532. Somente votaram aqueles que eram considerados “homens bons”.  Dentro desse ciclo de homens bons estavam gente qualificada pela linhagem familiar, pela renda e propriedade. Assim como aqueles que participavam da burocracia civil e militar da época.
Só em 1821 ocorreu a primeira eleição brasileira em moldes modernos. Foram eleitos os representantes do Brasil para as Cortes Gerais. 
Em 1824 foram definidas, por dom Pedro I, na primeira Constituição brasileira, as primeiras normas do Sistema Eleitoral. O voto era obrigatório, porém censitário. Aqueles que podiam votar eram somente os homens com mais de 25 (vinte e cinco) anos e com uma renda anual delimitada. Nesse caso, menores de 25 (vinte e cinco) anos de idade, mulheres, os assalariados em geral, os soldados, os índios e – sem dúvidas- os escravos estavam excluídos desse processo eletivo.
Em 1881, o Sistema Eleitoral passou por outra mudança: a Lei Saraiva introduziu o voto direto, mas ainda censitário. E somente 1,5% da população brasileira tinha a capacidade eleitoral (de votar e ser eleito), mas isto só se deu até o fim do império.
Na primeira eleição direta para presidente da república, em 1894, Prudente de Morais chegou ao poder com aproximadamente 270 (duzentos e setenta) mil votos, 2% da população do Brasil na época.
E só no século XX, em 1932 para ser mais preciso, é que foi instituído o voto feminino no Brasil. As mulheres conquistaram, depois de muitos anos de reinvindicações e discussões, o direito de eleger e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo. Mas em função da ditadura de Getúlio Vargas (1937-1945), só vieram a votar de novo em 1946. (Essas ditaduras -Vargas e Militares- privaram o eleitorado nacional por nove vezes, nove eleições).
Mesmo sendo instituído o voto a partir da república, no inicio desse período no Brasil, vigorou um sistema conhecido popularmente como coronelismo. Este nome foi dado, pois a política era controlada e comandada pelos coronéis. Além da politica, a consciência do povo também era comandada pelos coronéis. As pessoas eram forçadas a votarem em quem os coronéis mandassem, esse ato ficou conhecido por voto de cabresto.
Hoje a situação é bem diferente destas citadas até então. Atualmente o voto além de direto é um dever de cada cidadão brasileiro. Sendo facultativo para aqueles que têm entre 16 e 18 anos e pessoas com mais de 70 anos.
Agora não temos problemas com a falta desse direito, com ditadura ou mesmo o cabresto aplicado pelos coronéis. Mas, temos uma falta de conscientização de muitos votantes. E talvez esse seja um dos maiores problemas que se tenha. Muitos dos eleitores não se importam com o sacrifício que muitos fizeram para conquistar esse direito. Muitos morreram para que chegássemos hoje a expressar essa nossa opinião.
O voto é a nossa única e mais eficaz voz dentro desse sistema democrático. O voto tem igual valor para todos, não importa se o eleitor é negro, branco, pardo, indígena, pobre, rico, analfabeto, instruído, católico, evangélico enfim, sem distinção de raça, cor, classe, religião, sexualidade. Todos tem essa voz, e de igual valor para todos. Ele é a única maneira de dizer sim ou não dentro desse contexto politico.
De modo algum ele pode ser comparado como uma mercadoria, ser trocado por dinheiro, favores políticos, sacos de cimentos ou dentaduras. Será mesmo que vale a pena trocar por R$ 50,00 aquilo que muitos se sacrificaram para conseguir para você?
Nessa sociedade competitiva aquele que é mais preparado adquiri espaço de mercado de trabalho. Nesse contexto, no mercado eleitoral deveria ser dessa forma, antes de votar, procure descobrir sobre o passado do(s) seu(s) candidatos(s), de onde vem, para onde ir, escute suas propostas, veja se elas se enquadram dentro do contexto local,  e principalmente se podem ser prometidas. Não adianta prometer um mundo utópico se ele não tem condições de cumprir. Verifique se ele é ficha limpa. E, o que diz a comunidade sobre ele?
Muitas vezes, alguns, ou muitos, dizem: “Que nada! Vou é vender meu voto. Esses políticos safados só vêm aqui em épocas de eleição e depois não dão mais as caras”. Talvez isso seja porque a população já esteja cansada com tanto descaso desses políticos, e na verdade muitos fazem isso. O que têm de politico chorando em velório em época de eleição não é brincadeira.
Mas, vender o voto não é o aconselhável, quando se vende o voto, vende-se também a consciência. Em nenhum momento, independente da situação, você poderá cobrar alguma coisa de um politico se você vender seu voto, pois você vendeu junto a sua voz. Não devemos tratar o nosso voto como produto, temos que usa-lo da melhor forma, sendo consciente nas nossas escolhas.
Uma má escolha pode significar situações irreparáveis dentro de determinado território. Atualmente, ou quase sempre, o Brasil vive assolado pela corrupção, e a aqueles que deveriam zelar pelo bem do povo são os primeiros que dão uma rasteira na sociedade. São escândalos por cima de escândalos. Investigações por cima de investigação, mas como sempre, não dá em nada, com exceção das pizzas.
Viu? O uso consciente desse seu poder é que fará com que se crie uma sociedade mais justa e igualitária. E Se é pra ser justo e igualitário, todos tem que ter o mesmo poder. Temos que saber escolher aqueles que nos representarão. Uma atitude sem consciência pode gerar danos irreparáveis. Seja cidadão, mostre seu valor dentro da sociedade.
 E só pra lembrar VOTO NÃO TEM PREÇO, TÊM CONSEQUÊNCIAS!


E aí caririaçuense qual será a consequência do seu voto?








Referências Bibliográficas
Antonio Carlos Oliveiri 


acessado em 06/06/2012 às 13h56mim.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Museu Nogueira Machado

O Museu Nogueira Machado teve sua gênese em fins do século XIX e na primeira metade do Séc. XX. Ele surgiu de uma ideia simplória e ao mesmo tempo de uma profunda sapiência do Sr. José Nogueira de Melo (1874-1954) ou Zé Pereira, como era vulgarmente conhecido em São Pedro[1].
José Nogueira de Melo em 1926
Homem extemporâneo, à frente sua época, de incomensurável destreza mental que reunia em si mesmo uma inteligência célebre, teve a transcendental e fenomenal ideia de recolher objetos e quinquilharias que em suas elucubrações pudessem representar fragmentos da história de sua cidade e cercanias.
Assim ele começou a juntar as mais diversas peças, desde pregos e parafusos passando por mobiliários e livros até instrumentos laboratoriais.
Em suas viagens alhures sempre recolhia artigos que lhe despertassem interesse.
Aos poucos a ideia de Sr. “Zé Pereira” foi sendo difundida na comunidade e esta por sua vez, vez por outra levava-lhe alguma peça para compor e medrar o seu cabedal.
Com o seu óbito na década de 1950 e de seus familiares contemporâneos, alguns dos artigos por eles deixados, tornaram-se acervo do museu. Destarte, formou-se assim o acervo do incipiente museu.
Entre os artigos do museu foi encontrado um documento arrolando os museus do Brasil nos anos de 1950, por curiosidade lá estava o nosso com o nome de Museu Nogueira. Para não deixar dúvidas que poderia ser outro museu do nosso país, lá também constava o seu endereço.
Quase sem nenhuma atração no povoado, às peças deixadas pelo sábio homem tornaram-se atrativo turístico da urbe e todo o populacho da vila e forasteiros eram singelamente convidados a apreciarem aquele conjunto de ”ninharias”.
Nos dias atuais a miscelânea chega a suplantar a marca de 3 000 (três mil) artigos subdivididos em coleções: documentos, numismática, peças de mobiliário, história natural, armaria, utensílios domésticos, objetos pessoais, entre outras.
Entre as peças do acervo destacam-se algumas que foram objetos pessoais de personalidades famosas da cidade de Caririaçu e também da região do Cariri.
Sobrepuja-se também dos demais artigos uma coleção de almanaques raros que abarca o período de 1904 a 1960.
Lápide de Zé Pereira
O prédio que abriga o museu localiza-se em Caririaçu na Rua Carlos Morais[2], antiga Rua Grande, à altura do número 485 no centro da cidade, próximo à igreja Matriz de São Pedro. Ele foi erguido em 1908 para servir de residência para Zé Pereira e sua prole, assim permanecendo até 1929.
Nesta época os exemplares museológicos eram acondicionados no Edifício Nogueira, prédio engendrado por Zé Pereira com o propósito de embelezar a auspiciosa e briosa vila. Este edifício está estabelecido no cruzamento das ruas Carlos Morais e Cel. Vulpino da Cunha[3], ou simplesmente Rua da Feira.
Atualmente o prédio do museu encontra-se com a sua estética levemente modificada, tendo as paredes sido revestidas de reboco, porém com o piso (constituído de tijolinhos) e o teto conservados os originais.
Um detalhe interessante encontra-se numa das portas do museu. Na sedição de 14[4] o povo, que se encontrava assolado pela miséria, tentou arrombar a casa de Seu Zé Pereira, onde funcionava uma padaria e uma pequena bodega. Os revoltosos desfecharam golpes de foices e enxadas nessa porta com o objetivo de derrubá-la e apropriar-se dos produtos que ali eram comercializados. Ainda hoje há resquícios nessa porta desse levante.
O formato desta porta, com um recorte na parte superior, muito comum no interior do Nordeste, tem sua origem na Holanda.
A sua fachada apresenta belas cornijas. Fruto da arquitetura clássica de um passado que estamos literalmente extirpando-o.
O Museu Nogueira Machado conjuntamente com o seu acervo não tem o objetivo nem tampouco a pretensão de fotografar o pretérito da cidade de Caririaçu, ele apenas conta um ínfimo fragmento da história da antiga Vila de São Pedro.
Em 2007 foi criada a Associação de Amigos do Museu Nogueira Machado com o intento de angariar recursos para organizar e gerir o conjunto de objetos históricos que se encontravam dispersos. Através desta associação, a SECULT (Secretaria de Cultura do Estado do Ceará) patrocinou o Projeto de Tombamento e Inventário do Acervo (iniciado em janeiro de 2010) por intermédio do Edital Patrimônio 2008.
Atualmente o acervo museológico passa por um processo de higienização, construção dos inventários e tombamento. Galgada esta etapa, finalmente as peças poderão ser expostas para estudos, visitação, apreciação e deleitamento da comunidade “são-pedrense” e visitantes de outras cercanias.


PS: Talvez se nossa cidade fosse administrada por cidadãos genuinamente caririaçuenses (gente da gente e que gosta da gente) e com responsabilidade com o progresso (sim, museu também é progresso e não somente concreto, asfalto, tinta, e semáforo como querem que acreditemos) e com o desenvolvimento de todos os aspectos sociais da nossa comunidade, o Museu já estivesse aberto, funcionando e cumprindo seu dever social e cultural. No entanto, os administradores querem nos calar e nos cegar com essa maldita política de “pão e circo” e clientelismo! Será que alguns dos "santos de plantão” se encaixa nesse perfil???

PSS: O notável mestre Raimundo de Oliveira Borges, certamente o maior pesquisador e estudioso sobre nossa cidade, em algumas das suas ricas, belas e consultáveis obras literárias, fez alusões sobre o “museu de Zé Pereira” e aconselha aos poderes públicos o imediato apoio ao museu para o seu funcionamento. Porém a mesquinhez da política interesseira e a abundância de ignorância que habita na nossa massa cerebral gritam mais alto do que os murmúrios do bem coletivo. Parabéns àqueles que estão na política não para “cuidar do povo”, mas apenas para granjearem vantagens numa sociedade onde não se enxerga meritocracia e é marcada por corruptos conchavos mercadológicos e clientelistas.

Referência Bibliográfica:
BORGES, Raimundo de Oliveira. Serra de São Pedro Município de Caririaçu (Esboço Histórico). Tipografia e Papelaria do Cariri, Crato 1983.


[1] Hoje Caririaçu.
[2] Carlos José de Morais, vulgarmente conhecido como Seu Carlinhos, ex-intendente da cidade.
[3] João Vulpino da Cunha, nomeado primeiro intendente do município. Geriu a vila entre os anos de 1877 e 1899, perfazendo 12 anos de gestão.
[4] Revolta liderada por Padre Cícero e o Deputado Floro Bartolomeu contra o ato do Marechal Hermes da Fonseca, então presidente da República, de tirar as oligarquias (principalmente a Acioly) do poder estadual.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Padre Cícero em Caririaçu


Os anais da história revelam que o padre Cícero Romão Batista foi vigário da paróquia de São Pedro do Crato no final do século XIX.
São Pedro do Crato tornou-se Caririaçu e desde sempre se comenta na cidade que Caririaçu foi à única urbe onde o padre foi vigário. Parece até um mantra verbalizado pelos habitantes mais velhos ensinando e transmitindo inconscientemente aos mais novos a também repetirem a desgastada e ineficiente frase: Caririaçu é a única cidade onde o Padre Cícero foi vigário.
Ineficiente porque ao repetirem a tal frase eles reivindicam que a cidade progrida explorando a imagem do sacerdote.
Entretanto ninguém busca realmente conhecer como se deu a passagem do núncio na Serra. Não investigamos o passado que nos pertence, não procuramos conhecer pessoas, objetos e fatos sociais que contribuíram para as coisas estarem como estão. Fruto ainda da ignorância de uma sociedade comandada por coronéis.
Apenas ligamos a TV e postamos frasesinhas bonitinhas nas redes sociais. No facebook manifestamos todo o nosso amor a Deus, mas não ligamos se o nosso vizinho tem o que comer, afinal a divindade maior está no mundo virtual e volátil dos computadores e não na solicitude com os irmãos terrenos.
Mas Caririaçu hoje conta com uma classe universitária considerada, ela engloba diversas áreas do conhecimento humano e que poderá esmiuçar a estada do famoso padre em nossa cidade.
Universitários pelo respaldo que vocês têm diante da sociedade e pela responsabilidade com o desenvolvimento holístico da mesma, a bola está com vocês. E aí, vai ser gol?
Porém, não é de total responsabilidade da classe estudantil o resgate dos fatos passados com implicações no presente. A classe política e empresária também poderia dar a sua contribuição. Pois só teriam a ganhar explorando o turismo religioso em nossa “Serra”! Isso traria geração de emprego, renda e de oportunidades para uma gente marginalizada por não ter os subsídios para adentrar no “mundo civilizado: o consumismo”.
Todavia, nada fazem para explorarem esse acontecimento, a não ser verbalizarem a arcaica expressão: Caririaçu é única cidade onde o Padre Cícero foi vigário.
Seria legal compilar todas as informações que alguns indivíduos da cidade sabem a respeito do cearense do século. Depois fazer uma conferencia, reunião, seminário, simpósio, encontro, assembleia, conciliábulo, não importa a terminologia, importa é fazer alguma coisa.
Sociedade civil, vamos manifestarmos-nos. Edilidade mostre que serve para alguma coisa que melhore realmente a vida das pessoas ou irão apenas ficar se digladiando para ver quem brada mais alto? Gestão municipal isso pode angariar muitos votos.
Agora temos o DECULT (Departamento de Cultura). Esperamos que ela faça alguma coisa em relação ao que está sendo dito por essas franzinas palavras e não seja somente um meio de manipulação e contentamento dos soldados ideológicos.
Vamos ler, perguntar, conhecer, discutir, sei lá. Vamos fazer alguma, o tempo corre, ou apenas iremos simplesmente usar aquela obsoleta e tola sentença que não convém mais repetir???